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sábado, 26 de setembro de 2009

Célula-Tronco >promessa de cura para quase todas as doenças

Polêmica

Pesquisas com células-tronco devem prosseguir?

03/03/2008 13:54
FOTO: DAVID SCHARF/GETTY IMAGES

Célula-tronco: promessa de cura para quase todas as doenças
O STF decidirá em 5 de março. É debate que mistura ciência e religião ao redor de um dilema: quando começa a vida

Em março de 2005 a Lei de Biossegurança foi aprovada pelo Congresso. Dois meses depois o procurador-geral Cláudio Fonteles entrou com ação de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal contra o artigo que aprova pesquisas com células-tronco de embriões humanos. A decisão, se negativa, pode afastar o Brasil da vanguarda científica.

Acham que SIM

Células-tronco são aquelas capazes de se transformar em qualquer um dos 220 tipos de célula do corpo humano. Elas podem, em tese, agir como neurônio, osso, nervo. São, por isso, a promessa de cura para quase todas as doenças. Até agora as mais eficazes parecem ser as derivadas de embriões humanos.
Os embriões usados em pesquisas são os blastocistos, com idade de três a cinco dias, quando possuem cerca de 100 células pluripotentes – ou seja, que podem se transformar em qualquer tecido. Não se trata, portanto, de um feto com feições humanas, como se vê nos livros de medicina.
A lei prevê apenas o uso de embriões congelados há mais de três anos. Esses embriões são aqueles que não foram usados nas clínicas de fertilização. Somente quatro embriões podem ser transferidos para o útero na fertilização assistida. Os demais são congelados. “Um conjunto de oito células, que jamais será inserido em um útero, pode ser comparado a um ser humano?”, questiona enquete no blog da geneticista Mayana Zatz, no site da revista Veja.
O método embrionário não é o único para se chegar às células- tronco. Duas pesquisas simultâneas, uma no Japão e outra nos Estados Unidos, publicadas nas revistas Cell e Science, reprogramaram células da pele para funcionar como células-tronco. “Esses resultados são prematuros. As pesquisas não podem parar”, afirmou Shinya Yamanaka, da Universidade de Kioto, autor de um dos dois estudos, à agência AFP.
Entre os países que permitem pesquisas com células-tronco embrionárias estão Inglaterra, Coréia do Sul, Japão, Canadá e Israel. Nos Estados Unidos o governo federal cortou verbas para a pesquisa.

FONTE : http://revistadasemana.abril.com.br

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

CÉLULAS-TRONCO - ESSA É A PRIMEIRA EXPERIÊNCIA DESENVOLVIDA NO BRASIL

http://www.clubesat.com/noticias

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) produziram as primeiras células-tronco embrionárias humanas do Brasil.

É o primeiro resultado prático obtido no Brasil desde a legalização das pesquisas com embriões humanos, em 2005, pela Lei de Biossegurança. A lei foi questionada na Justiça e reconfirmada em maio deste ano pelo Supremo Tribunal Federal.

Para obter a linhagem estável, cientistas do Instituto de Biociências da Universidade usaram 35 embriões que estavam congelados em clínicas de fertilização in vitro —e que foram doados pelos genitores.

A pesquisa da USP começou em 2006 e conseguiu a primeira linhagem células-tronco embrionárias há cerca de três meses. Agora, Lygia da Veiga Pereira, líder do grupo de pesquisa, diz já poder afirmar que as células produzidas são realmente células-tronco embrionárias.

"Temos características mínimas que nos dão a certeza de que as células produzidas são células-tronco embrionárias. Elas são pluripotentes, ou seja, têm capacidade de se tornar diferentes tipos de células. Já conseguimos que elas virem células musculares e neurônios", explica.

Segundo a pesquisadora, células-tronco embrionárias já foram testadas em animais e o efeito foi muito bom, superior ao resultado obtido com células-tronco adultas. "A melhora em testes para Parkinson e lesões da medula, por exemplo, é muito boa. Mas ainda precisamos de mais resultados para fazermos testes clínicos em humanos. O modelo animal ainda deve se manter forte no Brasil".

Já nos Estados Unidos, Pereira aponta que o grupo Geron já entrou com pedido no FDA (Food and Drug Administration), órgão regulamentador do país, para começar com testes clínicos em humanos. "Os testes em humanos ainda não foram aprovados, mas em um ano as primeiras aplicações já devem ocorrer", sentencia.

O principal avanço da pesquisa nacional para ela é a autonomia em relação a linhagens estrangeiras. "Agora que conseguimos desenvolver células-tronco embrionárias no Brasil, não dependemos mais de células vindas de outros países para realizar nossas pesquisas".

"Estamos dez anos atrasados em relação ao mundo. Em 1998, surgiu a primeira linhagem de células-tronco embrionárias nos Estados Unidos. Mas isso não quer dizer que temos que evoluir dez anos. Já usamos as metodologias mais modernas", conta a pesquisadora.

Lei de Biossegurança

O problema com a jurisprudência não impediu a pesquisa, mas atrapalhou. "Como o governo manteve o financiamento, a pesquisa continuou sendo desenvolvida enquanto a ilegalidade do uso de células embrionárias era discutida. Mas gerava insegurança, a pesquisadora Ana Maria Fraga teve sua bolsa pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) negada porque o órgão não podia se comprometer a pagar a bolsa por cinco anos sendo que ela poderia se tornar ilegal em pouco tempo", diz Pereira.


Fonte: UOL