ESTE BLOG TEM POR FINALIDADE ABSORVER TODAS AS POSSÍVEIS INFORMAÇÕES,NO QUE DIZ RESPEITO AS PESQUISAS COM CÉLULAS-TRONCO.
domingo, 21 de novembro de 2010
Células-tronco no dente do siso Dente do siso, contêm uma importante reserva de tecidos para criação de células-tronco
http://revistavivasaude.uol.com.br/saude-nutricao/91/artigo189637-1.asp
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Espanha inaugura 1º laboratório de órgãos bioartificiais com células-tronco
02/11/2010 - 16h39
MADRI, 2 Nov 2010 (AFP) -A Espanha, líder nos transplantes de órgãos humanos, inaugurou nesta terça-feira em Madri um laboratório pioneiro na criação de órgãos bioartificiais com células-tronco.
"Trata-se do primeiro laboratório do mundo destinado a produzir órgãos bioartificiais com células-tronco adultas para transplantes", assegurou a ministra da Ciência e Inovação, Cristina Garmendia.
O objetivo é esvaziar os corações e outros órgãos humanos inaptos para transplantes de seu conteúdo celular e "recelularizá-los com células-tronco do paciente que possam reconstruir o interior do órgão", explicou o dr. Francisco Fernández Avilés, chefe do serviço de cardiologia do hospital Gregorio Marañón, que abriga o novo laboratório.
A criação de órgãos artificiais é uma terceira via que se acrescenta ao transplante de órgãos humanos e o implante de órgãos artificiais, explicou, por sua vez, Rafael Matesanz, diretor da Organização Nacional de Transplantes (ONT).
Segundo ele, o transplante deste tipo de órgãos, que poderá acontecer entre cinco e dez anos, acabaria com dois problemas.
Um dele é a falta de doadores ou de órgãos idôneos para o transplante e o outro é a rejeição do órgão transplantado por parte o paciente, já que as matrizes são inertes e não possuem nenhuma capacidade de resposta imunológica.
O objetivo deste laboratório é criar um banco de matrizes, que podem ser conservadas durante meses e com as quais serão construídos novos órgãos à medida da necessidade dos pacientes.
A Espanha é líder mundial na doação de órgãos para transplantes desde 1991 e tem o melhor modelo de transplantes do mundo.
http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/afp/2010/11/02/espanha-inaugura-1-laboratorio-de-orgaos-bioartificiais-com-celulas-
domingo, 24 de outubro de 2010
Pesquisa usou células retiradas de tecido adiposo. Outros benefícios incluem melhoria em funções renais
Técnica pode encerrar a polêmica a respeito do uso de células-tronco
A polêmica em torno do uso de células-tronco pode estar perto de um fim. Um estudo bem sucedido, conduzido no Japão por um cirurgião cosmético, conseguiu aumentar em quatro centímetros a circunferência dos seios de uma paciente usando células-tronco retiradas de tecido adiposo.
Essa pode ser uma boa notícia para a indústria cosmética e para pacientes que tiveram que ter seus seios retirados após tratamentos contra câncer de mama, mas as aplicações para o uso de células-tronco retiradas de células de gordura podem ir muito além da estética.
Testes em pacientes humanos demonstraram que essas células tratam satisfatoriamente uma série de defeitos corporais, aumentam a capacidade aeróbica de pacientes com doenças cardíacas, aumentam a capacidade de bombeamento do coração em pacientes que sofreram ataques cardíacos e reduziram a incontinência em sobreviventes de câncer de próstata em 89%. Testes em ratos ainda demonstraram a melhoria das funções renais.
A empresa de biotecnologia baseada em San Diego, Cyatori Therapeutics, busca aprovação do FDA (Food and Drugs Administration, órgão estadunidense que, entre ourtas coisas, regula licenças para novos tratamentos) para fazer mais testes clínicos com as células. Se conseguir, pode estar na vanguarda da medicina regenerativa, além de encontrar uma solução para o debate ético em torno do uso das células-tronco embrionárias.
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Corte dos EUA mantém liberação de financiamento público de pesquisas com células-tronco
29/09/2010 - 12h18
A Corte de Apelações dos EUA decidiu que o financiamento federal de pesquisas com células-tronco embrionárias pode continuar até que uma decisão final seja tomada. Em 9 de setembro, a corte já havia suspendido temporariamente a proibição do uso de fundos públicos nas pesquisas.
O Departamento de Justiça argumentou que a suspensão da proibição de financiamento era necessária para evitar que projetos de anos fossem terminados na metade impedindo o progresso cientifico na busca de novos tratamentos para doenças como diabetes e problemas do coração.
O juiz Royce Lamberth havia proibido o financiamento em agosto baseada em uma lei de 1996 que proíbe o uso de dinheiro federal para pesquisas em que um embrião é destruído. A decisão não se aplica aos estudos iniciados durante o governo de George W. Bush, que, em 2001, permitiu uma limitada linha de pesquisa com culturas já existentes.
A pesquisa com células-tronco embrionárias é uma das bandeiras do presidente norte americano desde sua eleição, quando anunciou que os Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês) receberiam financiamento público para avançar nas pesquisas.
http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/2010/09/29/corte-dos-eua-mantem-liberacao-de-financiamento-publico-de-pesquisas-com-celulas-tronco.jhtm
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Instituto Ivo Pitanguy testa nova técnica para enxertar gordura em rosto que perdeu volume por envelhecimento
Experiência é feita em rostos de mulheres na faixa entre 55 e 65 anos; espera-se que enxertos não sejam reabsorvidos
DENISE MENCHEN
DO RIO
O Instituto Ivo Pitanguy isolou células-tronco da gordura retirada em lipoaspirações e vai utilizá-las em enxertos, que serão implantados nos rostos de pacientes, para atenuar a perda de volume característica do processo de envelhecimento.
Enxertos de gordura são comuns na cirurgia plástica, mas muitos acabam absorvidos pelo organismo, o que compromete os resultados de longo prazo. Espera-se que, com o uso de células-tronco, isso não aconteça.
"A expectativa é que a célula-tronco se diferencie em mais tecido adiposo e em vasos sanguíneos que nutrirão a gordura", diz a pesquisadora-chefe do instituto, Natale Gontijo. Segundo ela, um motivo que causa a absorção dos enxertos é a ausência de irrigação sanguínea.
LIPOASPIRAÇÃO
A técnica será testada em uma pesquisa com 20 mulheres entre 55 e 65 anos. Elas serão divididas em dois grupos: um receberá o enxerto comum, o outro, o rico em células-tronco. Os dois grupos serão acompanhados para comparação de resultados.
Gontijo explica que tanto a gordura quanto as células-tronco virão das próprias pacientes, que serão submetidas a uma lipoaspiração na região abdominal.
No ano passado, a pesquisadora constatou que a melhor maneira de obter o material para o enxerto é submetendo uma parte da gordura retirada na cirurgia a um processo de lavagem, e a outra, a uma centrifugação.
"A lavagem separa a célula de gordura do sangue e de outros componentes, mas causa muita perda de célula-tronco", diz. "Já a centrifugação destrói muitas células de gordura, mas isola as células-tronco presentes no tecido adiposo. Até nos espantamos com a facilidade do processo. Em três minutos já tenho células-tronco à mão."
O resultado dessa primeira fase foi publicado no "Journal of Plastic, Reconstructive and Aesthetic Surgery", da Inglaterra, e no "Aesthethic Surgery Journal", dos EUA.
Para a realização dos enxertos, a pesquisadora une as amostras e, com uma seringa, as implanta no rosto.
O procedimento tem que ser feito logo após a lipo - não há como armazenar o material para uso posterior.
Segundo Gontijo, os riscos envolvidos no procedimento são baixos. "Ao contrário das células-tronco embrionárias, as células-tronco adultas parecem não oferecer risco de formação de tumores", diz.
A pesquisadora afirma ainda que mesmo os enxertos normais de gordura já contam com algumas células-tronco, embora em concentração mais baixa.
A técnica poderá ser usada não apenas para atenuar os efeitos do envelhecimento, como também para reparar perdas de tecido causadas por doenças ou traumas.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd1409201001.htm
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Célula tronco ajuda no tratamento da diabetes
Um estudo brasileiro publicado recentemente no Journal of the American Medical Association (JAMA), uma das revistas médicas de maior prestígio, revela que o pâncreas de pessoas com diagnóstico recente de diabetes tipo 1 voltou a funcionar após o transplante de células-tronco do próprio paciente. “A independência de insulina desses pacientes é cada vez maior, pois com o passar dos anos seus organismos voltaram a produzir o hormônio naturalmente”, comemora o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, um dos autores do estudo.
O diabetes tipo 1 surge quando o sistema imunológico, responsável por proteger o organismo contra infecções, começa a agredir as células beta, produtoras de insulina no pâncreas. O tratamento com as células-tronco regenerou o sistema imunológico dos pacientes, que parou de agredir as células beta, permitindo que voltassem a produzir o hormônio. Para verificar se o efeito podia ser atribuído à preservação das células beta pancreáticas, os pesquisadores monitoraram os níveis do peptídeo C (um precursor de insulina) durante 29,8 meses, em média.
Conduzida por médicos da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, a pesquisa acompanhou 23 pacientes com diabetes tipo 1, que foram submetidos ao transplante de células-tronco, entre janeiro de 2004 e abril de 2008. “Alguns pacientes passaram a não precisar mais de reposição de insulina por períodos de até quatro anos, com bom controle da glicemia, e outros precisaram repor o hormônio em doses muito baixas”, explica Couri.
Outro achado inédito foi que a utilização de sitagliptina, um medicamento aprovado para o tratamento do diabetes tipo 2, durante um curto período, aumentou os níveis de peptídeo C em dois pacientes que precisaram voltar a repor a insulina. A sitagliptina pertence a uma nova classe de anti-hiperglicemiantes orais, os inibidores da DPP-4.
Nos estudos clínicos, o medicamento demonstrou melhorar a função das células beta pancreáticas, responsáveis pela produção de insulina e, em estudos em roedores, aumentou a proliferação dessas células. Esses achados altamente promissores do uso da sitagliptina no diabetes tipo 1, no entanto, merecem ser confirmados em um número maior de pacientes, durante períodos mais prolongados.
http://cienciaevida.atarde.com.br/?p=2061
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O que são células-tronco? ![]() São células encontradas em embriões, no cordão umbilical e em tecidos adultos, como o sangue, a medula óssea e o trato intestinal, por exemplo. Ao contrário das demais células do organismo, as células-tronco possuem grande capacidade de transformação celular, e por isso podem dar origem a diferentes tecidos no organismo. Além disso, as células-tronco têm a capacidade de auto-replicação, ou seja, de gerar cópias idênticas de si mesmas. Que avanços as pesquisas científicas com células-tronco podem trazer para a medicina? ![]() As células-tronco podem ser utilizadas para substituir células que o organismo deixa de produzir por alguma deficiência, ou em tecidos lesionados ou doentes. As pesquisas com células-tronco sustentam a esperança humana de encontrar tratamento, e talvez até mesmo cura, para doenças que até pouco tempo eram consideradas incontornáveis, como diabetes, esclerose, infarto, distrofia muscular, Alzheimer e Parkinson. O princípio é o mesmo, por exemplo, do transplante de medula óssea em pacientes com leucemia, método comprovadamente eficiente. As células-tronco da medula óssea do doador dão origem a novas células sangüíneas sadias. Por que permitir a pesquisa com embriões, se as células-tronco são também encontradas em tecidos adultos? ![]() Porque as células embrionárias seriam as únicas que têm a capacidade de se diferenciar em todos os 216 tecidos que constituem o corpo humano. As células retiradas de tecidos adultos têm capacidade de dar origem a um número restrito de tecidos. As da medula óssea, por exemplo, formam apenas as células que formam o sangue, como glóbulos vermelhos e linfócitos. O que a Lei da Biossegurança aprovada na Câmara permite? ![]() Ela autoriza as pesquisas científicas com células-tronco embrionárias, mas impõe uma barreira. Poderão ser pesquisados apenas os embriões estocados em clínicas de fertilização considerados excedentes, por não serem colocados em útero, ou inviáveis, por não apresentarem condições de desenvolver um feto. O comércio, produção e manipulação de embriões, assim como a clonagem de embriões, seja para fins terapêuticos ou reprodutivos, continuam vetados. Os cientistas podem adquirir os embriões diretamente nas clínicas de fertilização assistida? ![]() Sim. O cientista precisa da autorização do conselho de ética do instituto onde trabalha, como em qualquer projeto que envolva a manipulação de material humano. Uma vez autorizado, o pesquisador poderá adquirir os embriões diretamente nas clínicas. Eles deverão estar estocados há mais de três anos e só poderão ser utilizados com o consentimento dos pais, mediante doação. Atualmente, estima-se que o país tenha 30.000 embriões congelados. Qual o motivo da polêmica em torno da lei? ![]() Para explorar as células-tronco usando as técnicas conhecidas hoje, é necessário retirar o chamado "botão embrionário", provocando a destruição do embrião. Esse processo é condenado por algumas religiões – como a católica - que consideram que a vida tem início a partir do momento da concepção. Há perspectivas de que no futuro se encontrem técnicas capazes de preservar o embrião, o que eliminaria as resistências religiosas. |

Sim. No início de 2007, cientistas americanos anunciaram a descoberta de uma nova fonte de células "coringa", extraídas do líquido amniótico, que preenche o útero durante a gravidez. Extraídas e cultivadas em laboratório, as células deram origem a vários tipos de células diferentes - ou seja, funcionam como células-tronco. Conforme os cientistas, as células-tronco extraídas do líquido amniótico não são idênticas às células-tronco embrionárias. Em alguns casos, porém, elas funcionam até melhor, dizem eles. Mas a gama de aplicações para esse novo tipo de célula-tronco pode ser menor do que no caso das embrionárias.

Até o momento, os cientistas conseguiram obter células-tronco de blastocistos, um estágio inicial do embrião com apenas 100 células. Um grupo de pesquisadores americanos conseguiu extrair células-tronco de mórulas, que têm entre 12 e 17 células. Em qualquer caso o embrião é microscópico. As células retiradas são cultivadas em laboratório, e podem render material para diversos anos de trabalho.

Apenas no caso de leucemia e certas doenças do sangue se pode falar efetivamente em tratamento. As perspectivas ainda são a longo prazo, pois praticamente todas as terapias se encontram em fase de testes, embora alguns resultados preliminares sejam promissores. Os cientistas ainda têm várias questões a resolver, como a possibilidade de desenvolvimento de tumores, verificada em testes com camundongos.

Na Bahia, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz estão tratando com sucesso cardiopatias causadas pela doença de Chagas. No Hospital Pró-Cardíaco do Rio de Janeiro e no Instituto do Coração de São Paulo, células-tronco são usadas em pacientes que sofreram infarto. Também há estudos em vítimas de lesões medulares, diabetes do tipo 1, esclerose múltipla e artrite.

Nos Estados Unidos, o tema esteve no centro dos debates das eleições presidenciais de 2004. Em 2001, o presidente George W. Bush cortou o financiamento público para as pesquisas, permitidas durante o governo Clinton, mas depois decidiu permitir o financiamento limitado. A lei brasileira é considerada equilibrada, e está bem próxima da legislação aprovada há poucos anos em plebiscito na Suíça. Em alguns países, como a Coréia do Sul e a Inglaterra, a legislação também permite a clonagem terapêutica.
tem a ver com a clonagem?

A "clonagem terapêutica" consiste na transferência de núcleos de uma célula para um óvulo sem núcleo. Este óvulo dará origem a um embrião, do qual se retiram as células-tronco. A vantagem seria evitar a possibilidade de rejeição, caso o doador seja o próprio paciente. Em caso de portadores de doenças genéticas, há ainda a possibilidade de um doador compatível. Este tipo de clonagem é diferente da clonagem reprodutiva, que é quando um embrião clonado é implantado em um útero, com o objetivo de reprodução de pessoas.
sábado, 21 de agosto de 2010
Células-tronco são usadas para recuperar visão
O médico e pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT), Júlio César Voltarelli, em parceria com os oftalmologistas Rubens Siqueira, Rodrigo Jorge e André Messias, da Universidade de São Paulo (USP), está realizando uma pesquisa de tratamento com células-tronco que poderá recuperar a visão de portadores da retinose pigmentar, uma doença genética que causa degeneração da retina e perda gradual da visão, provocando cegueira irreversível.
No Brasil estima-se que existem aproximadamente 40 mil portadores desta doença. Cinco voluntários que apresentavam menos de 10% de visão já receberam uma injeção de células-tronco, implantadas na cavidade vítrea do globo ocular. “Estamos com grande esperança que esta terapia para doença degenerativa da retina dê certo. Existem duas possibilidades de sucesso: a primeira é a terapia impedir que a doença continue evoluindo evitando que o paciente caminhe para a cegueira. Se isto for possível já será um avanço considerável. A segunda possibilidade é de o tratamento resgatar funcionalmente a retina, ou seja, proporcionar uma melhora visual o que seria o ideal”, afirma Rubens.
Segundo o pediatra e especialista em coleta e armazenamento de células-tronco do cordão umbilical, Carlos Alexandre Ayoub, do Centro de Criogenia Brasil, atualmente mais de 300 doenças estão em fase final de testes, com resultados positivos surpreendentes, e a cada dia surgem novas técnicas e aplicações para as células-tronco. “No futuro espera-se reconstituir órgãos inteiros com células-tronco, não dependendo mais de transplante”, afirma Ayoub.
Segundo Rubens Siqueira, atualmente responsável pela observação e segurança do procedimento nos pacientes voluntários, é importante ressaltar que se trata de um estudo experimental que visa avaliar a segurança. O acompanhamento ocorrerá mensalmente durante um ano. “Até o momento nenhum paciente mostrou qualquer complicação. Estamos avaliando também o comportamento funcional da retina. Já observamos respostas positivas nos exames de campo visual e no eletrorretinograma, que é um exame no qual avalia o funcionamento da retina através de potenciais elétricos. Estes achados apesar de serem ainda discretos mostraram sinais de que estamos no caminho certo”, diz o oftalmologista.
http://cienciaevida.atarde.com.br/?p=4705
sábado, 19 de junho de 2010
RETINA-TRATAMENTO COM CÉLULAS-TRONCO EM LONDRES,EM 2011,PARA DMRI
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da Efe, em Londres
Cientistas britânicos desenvolveram um tratamento contra a causa mais comum de cegueira --a DMRI (degeneração macular relacionada à idade)-- a partir do uso de células-tronco. O procedimento deve começar a ser aplicado em 2015.
O tratamento é resultado do trabalho de oftalmologistas do University College London (UCL) e do Hospital Moorfields de Londres. Consiste em substituir a camada de células oculares que sofreram um processo degenerativo por causa da idade por células novas obtidas a partir da manipulação de células-tronco embrionárias.
A DMRI é uma doença ocular causada por degeneração, danos ou deterioração da mácula, uma camada amarelada de tecido sensível à luz que se encontra no centro da retina e que proporciona a acuidade visual que permite ao olho notar detalhes.
O tabagismo, a idade avançada, antecedentes familiares, o alto nível de colesterol no sangue e a hipertensão arterial são os fatores que mais comumente causam DMRI, um problema que afeta 30 milhões de pessoas no mundo.
Estima-se que um em cada dez indivíduos afetados acabe sofrendo uma cegueira absoluta.
O professor Peter Coffey, do Instituto Oftalmológico da UCL, afirmou que um quarto da população com mais de 65 anos sofre de diferentes graus de DMRI. Ele diz que os exames realizados até agora no laboratório tiveram um resultado satisfatório.
"Há uma camada de células na parte posterior do olho que é suporte da parte do olho que vê, a retina. Essa camada de células começa a se degenerar e morre --o resultado é que a pessoa fica cega porque a parte da retina que nos ajuda a ver já não tem o respaldo do qual necessita", explicou o cientista.
"O que estamos estudando é se podemos voltar a colocar células para regenerar essa camada", acrescentou o professor.
Os cientistas da UCL e do hospital Moorfields, que trabalham agora para produzir células que possam ser utilizadas clinicamente com o anunciado financiamento da farmacêutica Pfizer, esperam fazer os primeiros testes a partir de 2011, assim que tiverem autorização das autoridades médicas do Reino Unido.
http://sergiosg1959.spaces.live.com/blog/cns!FF653487BC35B800!332.entry
Britânicos usarão célula-tronco para curar cegueira
» Células-tronco podem tratar diabetes
Os proponentes do método dizem que ele envolve apenas uma cirurgia simples, que um dia pode se tornar tão rotineira quanto as operações de catarata. Eles acreditam que a técnica seja capaz de devolver a visão à grande maioria dos pacientes que sofrem de degeneração macular relacionada à idade (DMRI), uma das principais causas de cegueira entre idosos e que afeta cerca de 14 milhões de pessoas na Europa.
Alguns medicamentos, como o Lucentis, da Genentech Inc., ajudam um em cada dez pacientes, que possuem a chamada forma "úmida" de DMRI, e o laboratório americano Advanced Cell Technology está analisando o estudo de células-tronco em outros problemas oftalmológicos. Para os 90% dos que têm a degeneração macular "seca", não há tratamento.
A degeneração macular é causada por problemas nas células epiteliais pigmentares da retina, que formam um tapete de sustentação sob os cones e bastonetes sensíveis à luz. O novo procedimento proporcionará a substituição das células epiteliais pigmentares com células-tronco, que serão injetadas pelos cirugiões, depois de cultivadas, dentro do olho, em enxertos de 4 mm a 6 mm.
O Projeto de Londres para Curar a DMRI reúne cientistas da University College London (UCL), do hospital oftalmológico Moorfields, também em Londres, e da Universidade de Sheffield. O projeto foi viabilizado por uma doação anônima do equivalente a US$ 8 milhões feita por um americano, que, segundo os líderes do projeto, teria ficado desiludido com as limitações às pesquisas com células-tronco nos Estados Unidos.
As células-tronco embrionárias são as células-mestras do corpo, que dão origem a todos os tecidos e órgãos. Seu uso é polêmico porque é necessário destruir o embrião. A Grã-Bretanha, porém, incentiva esse tipo de pesquisa.
Os cirurgiões do Moorfields já devolveram a visão a alguns pacientes usando células retiradas dos próprios olhos dos doentes, que foram transferidas para outros locais. Esse processo, no entanto, é complicado, e só um pequeno número de células pode ser transferido.
Ao injetar células epiteliais pigmentares derivadas de células-tronco nos olhos dos pacientes, o médico Lyndon da Cruz, de Moorfields, espera que a cirurgia seja reduzida a um procedimento de 45 minutos, com anestesia local. "Se não tiver virado rotina daqui a dez anos, quer dizer que não fomos bem-sucedidos. Tem de ser uma coisa disponível para um grande número de pessoas", disse ele a repórteres.
http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI1668818-EI296,00.html
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Célula-tronco adulta não remonta coração, mostra estudo
REINALDO JOSÉ LOPES
da Reportagem Local
Uma análise dos resultados conseguidos até agora com o uso de células-tronco para tratar doenças cardíacas mostra que ainda vai ser preciso muito trabalho para que seja possível falar em curas.
As células-tronco adultas, por exemplo, revelaram-se incapazes de reconstruir o tecido do coração, ao contrário do que se esperava, e o uso de outros tipos celulares em pessoas ainda está distante.
"Eu não diria que se trata de uma avaliação pessimista, embora, de fato, ela seja bastante crítica", disse à Folha o médico José Eduardo Krieger, do Incor (Instituto do Coração). "O importante é que o campo está mais maduro.
E é claro que a gente não conseguiria saber onde a coisa não funcionou, e como melhorar, sem esses oito anos de tentativas", afirma Krieger, que assina a análise junto com colegas da Holanda no periódico científico "Science Translational Medicine".
No caso das células-tronco adultas, em geral obtidas do próprio paciente que vai ser tratado, o balde de água fria é mais dolorido porque elas chegaram rápido aos testes com pacientes humanos.
Rejeição
Isso aconteceu porque o transplante desse tipo de célula, ao ocorrer dentro do mesmo organismo, por assim dizer, não traz riscos de rejeição. Havia a expectativa de que ao menos algumas delas pudessem ter grande versatilidade, assumindo o papel das células do coração e reconstruindo o órgão.
Esse potencial de "curinga" é real no caso das células-tronco embrionárias. Mas, no caso das adultas, a coisa se revelou mais complexa. "Elas não são o curinga do baralho, como a gente acreditava na fase inicial, mais ingênua, da pesquisa", diz Krieger.
Administrá-las até melhora um pouco a atividade cardíaca, aparentemente porque elas produzem substâncias que levam o órgão a se regenerar em parte, além de facilitarem o surgimento de vasos sanguíneos, o que também ajuda.
Conforme os testes clínicos foram abarcando mais pacientes, as supostas melhoras dramáticas dos primeiros doentes foram ficando menos impressionantes. "Nesses casos, é provável que o efeito placebo [a simples influência psicológica positiva do tratamento sobre o doente] tenha agido."
Novos rumos
As decepções, contudo, devem trazer correções de rumo. Para Krieger, as células adultas podem virar a abordagem indicada para prevenir problemas mais sérios, como infartos, em certos pacientes.
No caso de pessoas com o coração "crescido" por problemas como o mal de Chagas, mesmo as células embrionárias não serão capazes de corrigir o formato do órgão -uma cirurgia de reconstrução é indispensável.
"E, em outros casos, precisamos gerar novas células cardíacas, e para isso um caminho é reprogramar células adultas para que elas se comportem como embrionárias", diz ele, referindo-se às chamadas células iPS, uma das grandes promessas do ramo hoje.
Também pode-se buscar as poucas células do coração com capacidade de se regenerarem e transplantá-las.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u721159.shtml
sábado, 13 de março de 2010
Pesquisas com células-tronco reúnem grupo multidisciplinar
A Unicamp está organizando um grupo multidisciplinar para desenvolver pesquisas em torno da aplicação das células-tronco. Os estudos envolverão especialistas de diversas áreas da Universidade e contarão com a colaboração de outras instituições que também estão envolvidas com o tema. De acordo com uma das integrantes do grupo, a médica hematologista e responsável técnica pelo Banco de Sangue de Cordão Umbilical do Centro de Hematologia e Hemoterapia (Hemocentro), Ângela Cristina Malheiros Luzo, a expectativa é que os trabalhos tenham início ainda no segundo semestre deste ano. “A Unicamp já conta com pessoal e infra-estrutura adequada para esse tipo de empreitada. Nós só dependemos de recursos para bancar os vários procedimentos, que são muito caros”, afirma. Pedidos de financiamento já foram encaminhados ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que deverão analisá-los em breve.
Pedidos de financiamento já foram encaminhados
A formação do grupo multidisciplinar colocará a Unicamp, ao lado de poucos centros no Brasil, na vanguarda das pesquisas com células-tronco. Ângela Luzo explica que as linhas de investigações foram definidas a partir das experiências acumuladas pelos especialistas, que há vários anos desenvolvem trabalhos relacionados ao tema. Num primeiro momento, os cientistas tentarão diferenciar as linhagens celulares, a partir de fontes como a medula óssea, célula-tronco periférica (CTP) e sangue de cordão umbilical. O objetivo é identificar quais as vantagens e desvantagens proporcionadas por elas. A pesquisadora do Hemocentro esclarece que a ciência tem um razoável nível de informação sobre o funcionamento das células-tronco, mas considera que ainda há muito que ser descoberto.
O uso da medula óssea como fonte de células-tronco, por exemplo, soma 40 anos. Já as pesquisas em torno do cordão umbilical e da CTP têm, respectivamente, ao redor de 20 e 30 anos. “As células-tronco obtidas dessas fontes parecem ter características diferentes, sendo as de sangue de cordão mais primitivas que as da medula e de sangue periférico. O Hemocentro começou a investigar o uso de célula-tronco de cordão em 1995, em pesquisa com camundongos portadores de imunossupressão severa combinada (SCID), que foram transplantados com sangue de cordão. Os estudos de diferenciação de células-tronco de linhagem hematopoiética (medula óssea, sangue de cordão e CTP) para outras linhagens celulares estão apresentando resultados interessantes, na literatura internacional, mas ainda se encontram em fase experimental na maioria dos centros de pesquisa. Tudo isso ainda é muito inicial”, diz. Sobre as pesquisas com células-tronco embrionárias, Ângela Luzo considera que elas são ainda mais incipientes, inclusive no plano internacional.
Os trabalhos nessa linha, segundo ela, ocorrem em poucos países. Na maioria das nações européias, por exemplo, esse tipo de pesquisa segue proibido. “A célula embrionária é tão indiferenciada que alguns experimentos apontam que ela tem capacidade de se transformar em qualquer tipo de tecido, inclusive o neoplásico [com tumor], que evidentemente não é o que a gente quer. Em outras palavras, até que os cientistas saibam como manipular adequadamente esse tipo de célula, será preciso algum tempo. Se pensarmos que as pesquisas com células-tronco de cordão umbilical têm 20 anos e que ainda sabemos pouco sobre elas, isso dá um parâmetro do que ainda temos que percorrer para encontrar todas as respostas”, compara.
Trabalho conjunto – De acordo com Ângela Luzo, embora as equipes que comporão o grupo multidisciplinar ainda estejam sendo formadas, o projeto já está estruturado. Ao Hemocentro, por exemplo, caberá fornecer as células-tronco para os demais laboratórios. O professor Antonio Carlos Boschero, do Departamento de Fisiologia e Biofísica do Instituto de Biologia (IB), desenvolverá um estudo em colaboração com o laboratório da professora Sara Saad, médica hematologista e vice-coordenadora do Hemocentro. Será uma tentativa de diferenciar, a partir de sangue de cordão, a linhagem pancreática. O professor Ibsen Bellini Coimbra, do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Ciências Médicas (FCM), estará voltado para diferenciação de sangue de cordão para condrócitos [células cartilaginosas adultas]. O professor Li Li Min, do Departamento de Neurologia da FCM, também trabalhará com célula-tronco extraída do sangue de cordão, mas a relacionará à linhagem neuronal. O especialista pretende utilizar nanopartículas para marcar a possível diferenciação celular.
A professora Joyce Maria A. Bizzacchi, hematologista e coordenadora do Hemocentro, atuará junto com uma equipe do Incor, que estuda o uso da célula-tronco de medula óssea no tratamento da insuficiência arterial periférica. Outro trabalho a ser executado, este pelo grupo do Hemocentro e sob a coordenação da professora Sara Saad, é a análise da diferenciação das células-tronco de sangue de cordão e de medula óssea em células hepáticas. Por fim, há outros dois projetos em andamento, que também deverão fazer parte do “pacote” de pesquisas. Um deles é elaborado por especialistas em neurocirurgia do Hospital Estadual de Sumaré, unidade de saúde administrada pela Unicamp, juntamente com o grupo do Hospital Sírio Libanês, de São Paulo. O outro envolve o grupo de cirurgia cardíaca e está sob supervisão do professor Reinaldo Wilson Vieira. Em ambos os projetos a manipulação da célula-tronco caberá ao grupo do Hemocentro. “Nossa expectativa é que os trabalhos comecem ainda no segundo semestre. Trata-se de um grupo multidisciplinar e cooperativo. Cada especialidade vai interagir com a outra, de modo que tenhamos a oportunidade de promover análises conjuntas. Esta parceria entre diferentes pesquisadores e instituições certamente enriquecerá o trabalho”, prevê Ângela Luzo.
Sem sensacionalismo – As pesquisas com células-tronco são muito promissoras, mas ainda demandarão um certo tempo antes que gerem técnicas que possam ser aplicadas em seres humanos, como observa a médica e pesquisadora Ângela Luzo, do Hemocentro da Unicamp. De acordo com ela, a maioria dos estudos em desenvolvimento encontra-se em fase pré-clínica. Ou seja, os experimentos seguem sendo feitos com animais de laboratório. Além disso, os resultados alcançados por um grupo de pesquisa precisam ser repetidos por outros, a partir da mesma metodologia. Só a difusão da técnica e a troca de informações, explica a especialista, farão com que a ciência chegue a um grau de segurança e eficácia adequado. Por isso, prossegue a estudiosa, é preciso informar a população de forma correta e responsável sobre o andamento e as possibilidades das pesquisas.
Não foi isso o que aconteceu, na opinião de Ângela Luzo, num passado recente. O modo como o assunto foi tratado pela mídia, afirma ela, criou uma ilusão nas pessoas que sofrem de problemas sérios, como diabetes, cardiopatias, lesões neuronais ou limitações motoras. “Ainda tem gente imaginando que daqui a dois ou três meses poderá entrar numa fila, para ser voluntário num determinado estudo. E que daqui a um ano, o cego voltará a enxergar e o paraplégico tornará a andar. Não é assim. Insisto que vamos precisar de algum tempo para saber como e em que situações poderemos empregar a terapia da célula-tronco”, pondera. Diariamente, conta a especialista, o Hemocentro recebe e-mails e telefonemas de pessoas querendo se oferecer como “cobaias” para eventuais pesquisas.
Estas são informadas que não há experimentos desse tipo em andamento e que os possíveis avanços obtidos pela ciência serão oportunamente divulgados. Ocorre, porém, que uma pessoa portadora de doença grave acaba ficando ansiosa com qualquer tipo de informação positiva sobre o tema célula-tronco. Assim, uma notícia dando conta de que um paciente na Coréia melhorou ao ser submetido a esse tratamento já é suficiente para gerar uma expectativa enorme. “Antes de saber se o método é eficaz, é preciso checar se ele está respaldado pela ciência e se houve experimento prévio em animais. Se tudo isso for comprovado, ainda é preciso levar em conta que se trata de um único caso. Os resultados precisam ser repetidos algumas vezes, por diferentes equipes, para saber se a técnica pode ser utilizada de forma terapêutica. Nessa área, é preciso ter muito cuidado para não gerar falsas expectativas”, adverte Ângela Luzo.
A terapia do futuro
Células-tronco são células pluripotentes que podem se diferenciar e constituir variados tecidos do organismo. Trata-se de uma capacidade especial, pois as demais células só podem fazer parte de um tecido específico. Ou seja, células da pele só podem constituir a pele. Outra propriedade das células-tronco é a auto-replicação. Traduzindo, elas podem gerar cópias idênticas de si mesmas. Por causa dessa dupla importância, têm sido alvo de intensas pesquisas no mundo todo, pois poderiam funcionar como substitutas em tecidos lesionados ou doentes, como no caso de Alzheimer, Parkinson e outras doenças neuromusculares em geral, bem como no lugar de células que o corpo deixa de produzir por alguma deficiência, como no caso do diabetes.
A terapia com células-tronco consiste, portanto, em tratar doenças e lesões através da substituição de tecidos doentes por células saudáveis. Um dos exemplos mais conhecidos desse tipo de procedimento, cuja eficácia está amplamente comprovada, é o transplante de medula óssea em pacientes com leucemia. A medula óssea do doador contém células-tronco sangüíneas que fabricam novas células sangüíneas sadias. A expectativa dos cientistas é que no futuro muitas doenças degenerativas, hoje incuráveis, possam vir a ser tratadas por meio dessa terapia.
http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/junho2005/ju293pag03.html
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Laser, células-tronco, odontologia e câncer
Os lasers ajudam na recuperação de mucosas
A equipe de cirurgiões dentistas da Faculdade de Odontologia da USP, sob a coordenação do professor Carlos, é apaixonada pelos lasers há muito tempo. Perceberam há alguns anos que, quando utilizavam os lasers de baixa potência nos tecidos moles bucais, em lesões benignas onde as mucosas estavam comprometidas, elas se recuperavam mais rapidamente. Se você já teve herpes com manifestações bucais ou aftas alguma vez na vida deve saber o quanto isso incomoda. Imagine então lesões maiores na boca.
Como agem os lasers?
Como pesquisadores que somos, possuídos pela curiosidade, não nos contentamos em apenas observar esse efeito. Isso era pouco. Queríamos saber mais… Qual era o mecanismo pelo qual os lasers interagiam com as mucosas? Será que eles atuariam também sobre as células-tronco? E para responder essa questão fizemos um experimento muito simples.
O efeito dos lasers nas células-tronco
Estabelecemos uma cultura de células-tronco a partir da polpa dentária que foi separada em dois grupos e que foram cultivados segundo os protocolos habituais. A diferença é que no primeiro grupo aplicamos também o laser - e no segundo, não. É importante ressaltar que trata-se de um laser de baixa potência. Após um período de 24 horas, as células foram analisadas em teste cego, ou seja, quem observava os resultados não sabia se as células tinham sido irradiadas ou não. E adivinhem o que aconteceu? As células, em déficit nutricional, submetidas à irradiação com laser de baixa potência, haviam proliferado mais. Acabávamos de comprovar que eles atuavam na divisão celular das células-tronco da polpa dentária. Tínhamos a explicação para a melhor recuperação das mucosas alteradas.
O valor do laser para pacientes com câncer
A quimioterapia e a radioterapia de cabeça e pescoço podem causar lesões importantes nas mucosas bucais. Cirurgiões dentistas que estão trabalhando em hospitais e universidades têm dado atenção especial aos pacientes que são submetidos a altas doses de quimioterapia e radioterapia nessas partes do corpo. Eles podem apresentar manifestações severas nos tecidos moles da boca, uma inflamação da mucosa chamada mucosite oral, que provoca muita dor e extrema dificuldade na hora de comer. Além disso, essas feridas tornam-se porta de entrada para microorganismos, aumentando significativamente o risco de infecções.
Todos os centros de quimio e radio deveriam ter lasers
É fundamental que os protocolos utilizados nas quimioterapias sejam discutidos, entendidos e aplicados por equipes multiprofissionais (médicos, dentistas, enfermeiras, etc), pois é necessário um profundo conhecimento científico da tecnologia laser para alcançar os benefícios desejados . Mas vale a pena. As mucosas se recuperam rapidamente sem efeito colateral e o paciente ganha muito em qualidade de vida!
O doutor Carlos conta a história de uma garotinha de 3 anos que havia sido internada para transplante de medula óssea e tinha muitas lesões bucais. Amedrontada, chorou quando o protocolo de laserterapia foi iniciado. Mas à medida que foram aparecendo os efeitos do tratamento e o alivio da dor, ela mesmo pedia o laser antes de tomar o café da manhã. Era preciso que a equipe de odontologia fosse cedinho ao hospital, mas o seu sorrisinho de satisfação compensava qualquer esforço. É por isso que defendemos que todos os centros de quimioterapia e radioterapia tenham a tecnologia laser integrada ao serviço prestado. O custo do equipamento laser de baixa potência, de origem nacional, é baixo - e o retorno para a saúde do paciente é gigantesco.
Por Mayana Zatz
Laser, células-tronco, odontologia e câncer
http://veja.abril.com.br/blog/genetica/
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Das questões técnicas às éticas, livro discute células-tronco e outras tecnologias
Em tempo de acirrada discussão sobre o uso de células-tronco embrionárias em pesquisas, é fundamental que o cidadão se mantenha bem informado e participe dos debates. Uma boa fonte de informações sobre este e outros temas da atualidade é o livro Novas tecnologias da genética humana: avanços e impactos para a saúde, recém-lançado pelo projeto Ghente, coordenado pela Fiocruz. O livro traz a reprodução de dois seminários realizados pelo Ghente, bem como textos complementares. Ao todo, quase 30 autores assinam a obra.
“Células-tronco são definidas como células indiferenciadas e não especializadas que têm a capacidade de realizar divisões simétricas e assimétricas. Da primeira, originam-se duas novas células-tronco (indiferenciadas). Da segunda, originam-se duas células distintas: uma indiferenciada e outra diferenciada (especializada). Essas células-filhas especializadas são dotadas de funções específicas que variam de acordo com o tecido que essas novas células irão formar”, explicam Antônio Carlos Campos de Carvalho e Cristiane del Corsso, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Em relação à fonte de obtenção, as células-tronco podem ser originárias do embrião, do feto, do cordão umbilical e do adulto”, completam.
Terapias com células-tronco adultas têm sido propostas por uma equipe baiana que reúne especialistas dos hospitais Santa Izabel e São Rafael e da Fiocruz. “Em uma pesquisa pioneira no mundo, foram estudados, em uma primeira fase, 30 pacientes chagásicos com insuficiência cardíaca. Em outro projeto, também pioneiro no mundo, 30 pacientes com doenças crônicas do fígado foram estudados. Os resultados destes estudos foram promissores e serviram de base para a realização de novas análises visando à confirmação da ação da terapia celular nestas doenças e para o aprimoramento desta nova modalidade terapêutica”, contam Ricardo Ribeiro dos Santos e Milena Botelho Pereira Soares, da Fiocruz da Bahia.
Contudo, o livro não se restringe aos aspectos técnicos das pesquisas. Ele vai além ao propor uma discussão bioética. “Nas pesquisas com células embrionárias, as questões éticas estarão especialmente relacionadas à utilização de embriões. Não tenho dúvida de que a intenção da maioria dos pesquisadores envolvidos nessas pesquisas é boa. Mas há um forte questionamento sobre a partir de quando e até quando se deve considerar razoável, ou aceitável, a utilização dos embriões para a obtenção dessas células. A questão básica é o embrião. Não adianta focarmos outras questões. E por quê? Porque há uma discussão sobre quando se considera que há vida”, diz Sérgio Rego, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp) da Fiocruz. Para alguns, há vida desde a concepção. Para outros, a vida está associada à noção de pessoa. “E quando podemos considerar que existe uma pessoa, nas células humanas agrupadas? Há também uma diversidade de opiniões”. Esta é a discussão e ela está longe de ser encerrada, como demonstra o atual embate em torno da Lei de Biossegurança.
Além das células-tronco, diversas outras temáticas são abordadas no livro, como a terapia gênica, a farmacogenética e a nanobiotecnologia. De modo geral, a publicação apresenta um panorama do estado da arte das pesquisas e propõe reflexões sobre as conseqüências dessas pesquisas para a sociedade. Políticas públicas, bioética, regulamentação e proteção legal das novas tecnologias também são alvo de análises. A íntegra do livro está disponível aqui.
Criado em 2001, o projeto Ghente reúne profissionais das diversas áreas do conhecimento, representantes de instituições públicas e privadas, organizações civis e sociedade, com o objetivo de promover a discussão sobre as implicações sociais, éticas e jurídicas do uso de genomas, em especial o genoma humano, na área da saúde.
http://www.fiocruz.br/ccs/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1634&sid=10
domingo, 31 de janeiro de 2010
Britânicos apresentam novo tratamento para câncer de mama
Uma equipe de pesquisadores britânicos apresentou, nesta segunda-feira, 1º de junho, um novo tratamento contra o câncer de mama hereditário – o que poderia devolver a esperança a um grupo que desenvolve, em muitos casos, os tipos mais agressivos dessa doença, e com um maior índice de recaída.
O novo tratamento, batizado pela farmacêutica britânica Astrazeneca como Olaparib, atua inibindo a enzima “Parp”, uma molécula utilizada pelas células cancerígenas para reparar o DNA após as sessões de quimioterapia e prosseguir, assim, sua expansão pelo organismo.
Ao impedir este processo de regeneração, o remédio consegue que as células cancerígenas se tornem mais sensíveis à quimioterapia, aumentando a efetividade do tratamento.
O remédio atua de forma específica sobre as mutações hereditárias nos genes BRCA1 e BRCA2, e também destrói as células cancerígenas sem afetar as demais células saudáveis, com o que se eliminam os efeitos secundários derivados dos tratamentos tradicionais.
Para chegar a essa conclusão, os especialistas do King’s College, de Londres, estudaram 54 mulheres com a doença em hospitais europeus, americanos e australianos, que foram divididas em dois grupos para receber uma dose mais ou menos alta de Olaparib.
Assim, foi comprovado que no grupo que recebeu uma dose maior o tamanho do tumor foi reduzido em 40% das pacientes.
Em um dos casos, inclusive, o tumor chegou a desaparecer totalmente.
O novo medicamento também é capaz de fazer frente a um tipo de câncer que até agora foi especialmente difícil de tratar: o triplo negativo.
Embora esses pacientes respondam melhor à quimioterapia, não se beneficiam de tratamentos endócrinos nem de remédios antitumorais adequados a seu perfil genético – por isso costumam sofrer recaídas adiantadas e ter poucas possibilidades de sobrevivência.
Segundo o diretor da unidade de pesquisa do câncer de mama do King’s College, Andrew Tutt, os resultados alcançados com o novo medicamentos são “muito promissores para as mulheres com câncer de mama hereditário“, que representam 5% dos casos de tumores mamários do Reino Unido.
As mulheres com um forte histórico familiar de câncer de mama e que herdam um gene BRCA1 ou BRCA2 defeituoso têm 80% mais de probabilidades de sofrer da doença em algum momento.
Este e outros novos tratamentos contra o câncer estão sendo apresentados na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia, realizada esses dias em Orlando (EUA).
Fonte: da EFE para a Folha Online. Junho, 1, 2009.
O Blog Virgem em Câncer e Lua na Esperança! reúne sob diversas categorias e tags centenas de posts dedicados à busca da melhoria de qualidade de vida, e cura, de pacientes oncológicos, bem como prevenção. Contudo não trata o Blog do que não lhe é pertinente: fazer o papel de médicos especialistas. Procure sempre um especialista da área que busca informação. Informação é sempre a melhor ferramenta. Converse com seu médico.
http://virgemcancer.wordpress.com/2009/12/01/britanicos-apresentam-novo-tratamento-para-cancer-de-mama/
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Cientistas norte-americanos fazem célula da pele virar neurônio
São Paulo - A criatividade dos cientistas para superar as complicações éticas que envolvem as pesquisas com células-tronco embrionárias parece não ter fim. Primeiro inventaram uma maneira de reprogramar geneticamente células da pele para se comportarem igual às embrionárias, com capacidade para se transformar em qualquer tecido do organismo. Agora, pesquisadores da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, fizeram algo ainda mais prático: inventaram uma técnica semelhante para transformar células da pele diretamente em neurônios, sem passar pela etapa de "tronco".
Em tese, isso permitiria produzir neurônios in vitro, em grandes quantidades, para o tratamento de lesões e doenças que afetam o sistema nervoso, como traumas medulares, esclerose múltipla ou Parkinson. As células seriam derivadas da pele do próprio paciente, sem risco de rejeição.
Batizadas de neurônios induzidos (iN, na sigla em inglês), as novas células foram capazes de formar sinapses e transmitir impulsos elétricos in vitro - um forte indício de que são células funcionais. Ou seja: não só parecem neurônios, mas também funcionam como tal. "Podemos dizer que nossas células são qualitativamente equivalentes a neurônios verdadeiros", disse o pesquisador Thomas Vierbuchen, da Universidade Stanford, na Califórnia.
As células ainda não foram testadas em animais, apenas in vitro. Outra ressalva é que a técnica só foi testada em células de camundongo. Mas a expectativa é grande de que funcione também em células humanas.
A técnica usada para induzir a transformação celular é a reprogramação genética. Os cientistas introduzem nas células da pele uma combinação de genes que fazem com que elas percam sua especificidade e voltem a funcionar como células "pluripotentes", equivalentes às embrionárias, com capacidade para se diferenciar em qualquer tipo de célula - por exemplo, fibras musculares ou neurônios. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultnot/estado/2010/01/28/cientistas-norte-americanos-fazem-celula-da-pele-virar-neuronio.jhtm
sábado, 23 de janeiro de 2010
ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE MEDICINA
Células-Tronco
Brasil pode acompanhar pesquisas mundiais
Raquel Landim
Vencedor do prêmio Nobel de Medicina, Mario Capecchi avalia que ainda há tempo para o Brasil participar da "aventura" com células-tronco embrionárias, após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na semana passada, que autorizou a pesquisa. "O Brasil tem muitos cientistas jovens. Não é possível prever onde as descobertas importantes serão feitas", disse ao Valor.
O cientista acredita no potencial da pesquisa para encontrar a cura de doenças como Parkinson, Alzheimer ou diabetes através da descoberta de novos remédios ou da fabricação de células para transplantes. Mas enfatizou que os resultados não virão no curto prazo, mas em "15 ou talvez 20 anos".
Capecchi dividiu o prêmio Nobel de 2007 com dois pesquisadores por suas descobertas de como produzir camundongos mutantes. Ele desenvolveu uma tecnologia, o "gene targeting", que insere um gene específico nas células-tronco embrionárias dos ratos, dando origem a animais híbridos, com metade do DNA original e metade mutante. Esse método permite estudar as funções de genes específicos, que podem ser "nocauteados".
Filho de pai italiano e mãe americana, Capecchi nasceu em Verona, em 1947, e teve uma infância difícil. O pai morreu na Segunda Guerra Mundial e a mãe foi enviada para um campo de concentração. Ele viveu três anos nas ruas e chegou a passar fome. Aos nove anos, reencontrou a mãe, que sobreviveu aos nazistas. A família emigrou para os Estados Unidos, país onde descobriu sua vocação como cientista.
"Qualquer restrição à pesquisa não é uma boa idéia. Minha filosofia é que a busca de informação não têm efeitos ruins", disse. Capecchi defendeu que as aplicações da ciência devem ser analisadas por toda a comunidade, mas que "nada é definitivo". O cientista chegou a citar a clonagem humana. Ele disse que é "totalmente contra" hoje, mas consegue imaginar uma situação em que seria a única maneira de ter filhos. A seguir os principais trechos da entrevista.
Valor: As pesquisas com células-tronco geram muita expectativa. As pessoas esperam a cura para doenças como Parkinson, Alzheimer, diabetes e até paralisia. É possível alcançar resultados no curto prazo?
Mario Capecchi: As promessas são enormes, no entanto, não são para um futuro imediato. Temos que entender como trabalhar com células-tronco, como criá-las de uma forma que funcionem adequadamente. Minha estimativa é que vai levar 10, 15, talvez 20 anos. Por outro lado, se não fizermos a pesquisa, nunca chegaremos lá. É uma pesquisa extremamente excitante e importante, mas ainda para um futuro distante.
Valor: A pesquisa com células-tronco será mais valiosa para a descoberta de novos medicamentos ou para o transplante?
Capecchi: Nunca coloque todos os ovos em uma cesta. Meu palpite é que as células-tronco serão utilizadas para ambos os propósitos. A promessa é conseguir transplantes diretos, mas também é importante a habilidade de isolar células e utilizá-las para análise de medicamentos. O mais fácil é criar células in vitro e trabalhar para a descoberta de remédios, mas depois é preciso testá-los em humanos e observar se não há efeitos colaterais. É importante perseguir os dois.
Valor: O senhor desenvolveu uma poderosa ferramenta de pesquisa, o "gene targeting". Como essa técnica pode ajudar no tratamento de doenças hoje incuráveis?
Capecchi: Não utilizaremos células-tronco apenas como células-tronco. Queremos modifica-las e uma maneira de fazer isso é mexer em um gene específico. Já podemos modificar genes em células-tronco embrionárias de camundongos da maneira que quisermos e o mesmo está começando com as humanas. É aí que está o poder: modificar. Se você trabalha, por exemplo, com a doença de Parkinson, quer que as células-tronco controlem a má-formação dos neurônios ou produzam agentes capazes de induzi-los a funcionarem normalmente. Serão necessárias muitas mutações e isso é possível com o gene targeting.
Valor: O senhor criou animais híbridos, com metade do DNA original e metade mutante. Enfrentou muita controvérsia?
Capecchi: Nosso pacientes são ratos. Não enfrentamos muita controvérsia porque as pessoas entendem que é importante fazer experimentos com os ratos, aprender e então aplicar em humanos. No início, sim, tivemos uma discussão enorme sobre a tecnologia de recombinar DNA. A quantidade de papelada que tínhamos que fazer no início da pesquisa era imensa e isso nos atrasou muito. Mas, com o tempo, ficou claro que nada ruim aconteceu por conta da recombinação de DNA.
Valor: Como o senhor se sente em destruir embriões? O senhor tem questionamentos éticos?
Capecchi: Certamente tenho dúvidas, mas há outros aspectos. Por conta da fertilização in vitro, embriões foram gerados e estocados em geladeiras. Quando a geladeira fica cheia, são simplesmente jogados fora. Se os embriões são mortos de qualquer forma, por que não utiliza-los para bons propósitos? E há uma outra questão ética. Temos pacientes com Alzheimer, Parkinson, diabetes. Não devemos tentar encontrar o melhor tratamento possível? É correto ter a tecnologia e não aplicar?
Valor: O Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro aprovou uma lei que libera a pesquisa com células tronco embrionárias. É muito tarde ou ainda há tempo para o Brasil se beneficiar dessa pesquisa?
Capecchi: Ainda há muito o que aprender. Ninguém aplicou essa tecnologia ainda. O Brasil tem muitos cientistas jovens. Não é possível prever onde as descobertas importantes serão feitas. Estou muito feliz com a aprovação e espero que o Brasil contribua com essa aventura.
Valor: A pesquisa em células-tronco pode atrair investimento para o Brasil e estimular o desenvolvimento econômico?
Capecchi: A saúde é extremamente importante para o desenvolvimento econômico. Mão-de-obra saudável e produtiva é pré-requisito para o desenvolvimento. Sem isso, não existe economia forte. Pessoas talentosas que sofrem de Parkison ou Alzheimer se tornam, de repente, disfuncionais. Uma coisa interessante da biotecnologia é que não é nem de longe tão caro quanto a física, que requer máquinas enormes e tecnologia de ponta. Nesse sentido, é mais fácil conseguir fundos para as pesquisas.
Valor: O senhor nasceu na Itália, um dos poucos países do mundo que proíbe a pesquisa com células-tronco embrionárias. O que um país perde ao optar por não desenvolver essa tecnologia?
Capecchi: O investimento em saúde em qualquer país é enorme. Através de biotecnologia e pesquisa médica, os tratamentos se tornarão mais baratos e efetivos. O país que não investir ficará para trás e dependerá de outros para desenvolver tratamentos. E há uma questão ética: por que um país deve prover toda a cura e outro somente tirar vantagem sem ajudar? É algo que todos devem estar preocupados.
Valor: A lei que foi aprovada no Brasil autoriza pesquisa em embriões inválidos ou congelados por mais de três anos. O senhor acha que é restritivo?
Capecchi: Qualquer restrição não é uma boa idéia. Minha filosofia é que a busca de informação não tem efeitos ruins. É a aplicação que é boa ou ruim, exige reflexão e envolvimento de todos. Mas um aspecto importante é que nada deve ser definitivo. Um exemplo é a fertilização in vitro. Quando surgiu, as pessoas estavam horrorizadas. Hoje é rotineiro em vários países. Esse é um exemplo de como a sociedade muda. A clonagem humana, por exemplo, seria terrível. Não apoiaria isso agora, mas consigo imaginar uma situação em que grande parcela da população se tornasse estéril e não pudesse ter filhos a não ser por clonagem. É preciso manter a mente aberta.
Valor: O senhor teve uma infância difícil. Isso o influenciou?
Capecchi: É difícil responder, porque não pode ser repetido. Não posso viver duas vidas e comparar (risos). Meu palpite é que a experiência me tornou confiante. Foi uma conseqüência, já que tinha que me proteger, encontrar comida, cuidar de mim ainda muito jovem. Faço ciência da mesma forma. Tento tornar o meu laboratório auto-suficiente.
A entrevista foi orignlamente publicada no jornal Valor Econômico desta seunda-feira (2/6/2008)
http://www.apm.org.br/aberto/noticias_conteudo.aspx?id=6130
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
A IMPORTÂNCIA DE CONSTRUIR BANCOS DE SANGUE DE CORDÃO UMBILICAL NO BRASIL
(TCTH), antigamente chamado de
Transplante de Medula Óssea (TMO), é um
procedimento curativo que tem salvado milhares
de vidas desde a década de 1970. Os
maiores beneficiados por esse tipo de tratamento são os pacientes
que têm doenças hematológicas como, por exemplo,
as leucemias e as aplasias de medula, mas diversas outras
doenças, hematológicas ou não, têm sido tratadas através desse
procedimento. Pacientes com doenças imunológicas,
em que as defesas do organismo estão
comprometidas, também podem se curar
com o transplante (1).
Embora o TMO esteja sendo usado com sucesso
há vários anos para tratar pacientes com
doenças malignas ou não, a sua maior limitação
é a disponibilidade de doador. Devido à complexidade
do sistema imunológico há uma
chance de apenas 25% dos candidatos ao TMO
terem doadores compatíveis aparentados, geralmente um irmão,
devido a incompatibilidade de um sistema chamado
HLA (Antígenos Leucócitarios Humanos) (2). Sendo assim,
ocorre a necessidade de se procurar doadores compatíveis fora
da família. O Programa Nacional de Doador de Medula dos Estados
Unidos, por exemplo, tem identificados 2 milhões de
doadores em potencial e tem facilitado, desde dezembro de
1995, aproximadamente 5 mil TMO a partir de doadores nãorelacionados.
Mesmo assim, esse número é baixo frente ao
maior número de pacientes à espera de um transplante. Além
disso, a disponibilidade de doadores de medula óssea não-relacionados
é ainda limitada devido a inúmeros fatores: 1) o tempo
gasto no processo de procura de doador pode variar de um
mês a seis anos; 2) a disponibilidade do doador no momento
em que é solicitado e 3) a limitada disponibilidade de doadores
em uma dada população étnica ou grupo racial. Devido a estes
fatores, menos de 40% dos pacientes que poderiam ser beneficiados
por um TMO têm identificado um doador adequado e,
destes que têm um doador identificado, menos de 40% recebem
o transplante (3).
A célula-tronco (CT) é definida como a célula com capacidade
de gerar diversos outros tipos celulares. As principais fontes das
células-tronco hematopoiéticas são a medula óssea, o sangue
periférico, após mobilização dos precursores hematopoiéticos
através do uso de citocinas e, mais recentemente, o sangue de
cordão umbilical humano (4).
O sangue de cordão umbilical e placentário (SCUP) é rico em
progenitores hematopoiéticos e tem sido usado para o tratamento
de doenças hematológicas malignas ou não-malignas
(4, 5). O cordão umbilical é uma fonte ilimitada de célulastronco
uma vez que esse cordão umbilical e a placenta são colocados
no lixo após o parto.
O primeiro relato de uso de células de sangue de cordão umbilical
humano em transplante foi em 1988, pela doutora Eliane
Gluckman, do Hospital Saint-Louis em Paris,
França. Gluckman e colaboradores (6)
utilizaram o sangue de cordão umbilical da irmã
de um paciente com anemia de Fanconi para
realizar o transplante, o qual foi um sucesso.
A partir daí, o sangue de cordão umbilical tem
sido utilizado como uma excelente fonte de células-
tronco hematopoiéticas para transplante
em pacientes que não apresentam doadores
HLA compatíveis na família (5). As células do
sangue de cordão umbilical e placentário parecem induzir com
menor freqüência a doença do enxerto contra o hospedeiro
(DECH), a qual é provocada pela incompatibilidade nesse sistema
HLA (7).
O sucesso do uso das células do sangue de cordão umbilical em
transplantes culminou com a necessidade de armazenamento
dessas células. Sendo assim, o primeiro banco de sangue de cordão
umbilical e placentário (BSCUP) público foi estabelecido
em 1993 pelo doutor Pablo Rubinstein no New York Blood
Center, Estados Unidos (8). Esse procedimento encorajou o estabelecimento
de outros BSCUP em diversas partes do mundo
e o número de transplantes, utilizando células do sangue de
cordão, aumentou surpreendentemente nos últimos anos (9).
O Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário
(BSCUP) é uma organização que se destina a coletar, processar
e armazenar células progenitoras hematopoiéticas provenientes
do sangue de placenta e cordão umbilical.Muitas são as vantagens do uso das células do sangue de cordão
umbilical como fonte de células-tronco hematopoiéticas em
relação à medula óssea ou ao sangue periférico: 1) a ilimitada
oferta de sangue de cordão, uma vez que o mesmo é descartado
após o parto; 2) a disponibilidade imediata do mesmo, uma vez
que as células encontram-se prontas para o uso, armazenadas
nos bancos de cordão umbilical humano e 3) a menor incidência
de DECH (Bühring, 1998, McNiece, 2000 e McNiece &
Briddell, 2001), uma vez que essas células são mais “imaturas”
imunologicamente, aumentando muito a chance de achar um
doador. As crianças seriam as maiores beneficiadas por esse tipo
de procedimento, uma vez que a leucemia é o tipo mais comum
de câncer infantil, sendo responsável por mais de 50%
dos casos de câncer na infância.
Com o avanço cada vez maior nas pesquisas com células-tronco,
além das doenças que já se beneficiam com o TCTH, as célulastronco
do sangue de cordão umbilical poderão ser úteis no tratamento
de várias outras doenças, como, por exemplo, nos casos de
pacientes que sofreram infarto do miocárdio ou pacientes
queimados que poderão ter as células reconstituídas com o uso
das CT. Sendo assim, é importante que sejam criados bancos de
sangue de cordão umbilical no Brasil, pois essas células poderão
ajudar a salvar a vida de inúmeros pacientes na nossa sociedade.
Patricia Pranke é farmacêutica e professora de hematologia da Faculdade de Farmácia da
UFRGS e PUCRS. É professora e pesquisadora do programa de pós-graduação em medicina:
ciências médicas – UFRGS, com doutorado na UFRGS e no Banco de Sangue de Cordão Umbilical,
New York Blood Center.
http://www.celulastroncors.org.br/artigos/BancoCordao.pdf
INSTITUTO DE PESQUISAS COM CÉLULA-TRONCO
A célula-tronco é definida como a célula com capacidade de gerar diferentes tipos celulares e reconstituir diversos tecidos. Além disso, a célula-tronco apresenta a propriedade de gerar cópias idênticas dela mesma e também de se mutiplicar inúmeras vezes.
As células-tronco podem ser chamadas de adulta e embrionária. As células-tronco adultas mais utilizadas na clínica são as células-tronco da medula óssea e do sangue de cordão umbilical. As células-tronco embrionárias são derivadas do embrião de até 5 dias que estão congelados nas clínicas de fertilização. Neste caso, os casais podem doar para a pesquisa, com fins terapêuticos, os embriões excedentes que não foram utilizados para a implantação no útero.
2-) Eu gostaria de doar o sangue de cordão de meu filho para o banco público. Como faço?
Não existe necessidade de todas as mães doarem o sangue de cordão de seus filhos, pois com uma quantidade adequada de amostras armazenadas, será possível ter uma variabilidade genética que atenda toda a população, inclusive esta criança.
No mundo inteiro os bancos públicos de sangue de cordão umbilical funcionam desta forma: o banco público faz convênio com algumas maternidades e, por ocasião das coletas, as mães que tiverem tendo seus nenês serão questionadas se gostariam de doar o sangue que iria fora. Não há nenhuma necessidade de armazenar o sangue de cordão umbilical de todos os bebês.
3-) Quais as vantagens de um banco público de sangue de cordão umbilical?
Muitas são as vantagens do uso das células do sangue de cordão umbilical como fonte de células-tronco adultas em relação à medula óssea:
a ilimitada oferta de sangue de cordão, uma vez que bebês nascem todos os dias e suas placentas e cordão umbilical são descartados após o parto;
a disponibilidade imediata do mesmo, uma vez que as células encontram-se prontas para o uso, armazenadas nos bancos públicos de sangue de cordão umbilical, e;
o menor risco de rejeição o que também aumenta muito a chance de achar um doador.
No banco público a mãe doa o Sangue do Cordão Umbilical e as células são congeladas e armazenadas para serem usadas por qualquer pessoa no futuro.
Os exames para descartar o risco de transmissão de doenças pelo sangue são todos realizados no momento da coleta e repetidos 6 meses após a doação, para garantir a segurança do sangue doado.
4-) O que diz a nova lei de Biossegurança?
Redação final do Substitutivo do Senado ao Projeto de Lei da Câmara nº 9, de 2004 (nº 2.401, de 2003, na Casa de origem).
O CONGRESSO NACIONAL decreta:
CAPÍTULO I
Disposições Preliminares e Gerais
Art. 5º É permitida, para fins de pesquisa e terapia, a utilização de células-tronco embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização "in vitro" e não utilizados no respectivo procedimento, atendidas as seguintes condições:
I - sejam embriões inviáveis; ou
II - sejam embriões congelados há 3 (três) anos ou mais, na data da publicação desta Lei, ou que, já congelados na data da publicação desta Lei, depois de completarem 3 (três) anos, contados a partir da data de congelamento.
§ 1º Em qualquer caso, é necessário o consentimento dos genitores.
§ 2º Instituições de pesquisa e serviços de saúde que realizem pesquisa ou terapia com células-tronco embrionárias humanas deverão submeter seus projetos à apreciação e aprovação dos respectivos comitês de ética em pesquisa.
§ 3º É vedada a comercialização do material biológico a que se refere este artigo e sua prática implica no crime tipificado no art. 15 da Lei nº 9.434, de 4 de fevereiro de 1997.
Art. 6º Fica proibido:
II - engenharia genética em organismo vivo ou o manejo "in vitro" de ADN/ARN natural ou recombinante, realizado em desacordo com as normas previstas nesta Lei;
III - engenharia genética em célula germinal humana, zigoto humano e embrião humano;
IV - clonagem humana;
CAPÍTULO VIII
Dos Crimes e das Penas
Art. 24. Utilizar embrião humano em desacordo com o que dispõe o art. 5º desta Lei:
Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.
Art. 25. Praticar engenharia genética em célula germinal humana, zigoto humano ou embrião humano:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa.
Art. 26. Realizar clonagem humana:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
http://www.celulastroncors.org.br/faq.htm#2
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
EUA autorizam pesquisa com células-tronco embrionárias de humanos
da Folha Online
Atualizado às 16h47.
Em decisão inédita, a administração de Barack Obama aprovou 13 pesquisas com células-tronco embrionárias de humanos para experimentos científicos. Pesquisadores serão financiados pelo governo dos EUA, sob uma nova política designada para expandir o apoio governamental para um dos mais promissores --e controversos-- campos da pesquisa biomédica. As informações são da edição on-line do jornal "Washington Post" desta quarta-feira (2).
Em março, Obama já havia revertido a medida de seu antecessor, George W. Bush (2001-2008), por meio de um decreto liberando o uso de dinheiro público para o estudo.
Agora, o Instituto Nacional de Saúde (NIH, na sigla em inglês) autorizou 11 linhas de pesquisa com células pelos cientistas do Hospital Infantil de Boston e duas linhas criadas por pesquisadores da Universidade Rockefeller, em Nova York. Todas as células foram obtidas de embriões congelados, deixados por casais que procuraram tratamentos de infertilidade.
"É uma mudança real no panorama", disse o diretor do NIH, Francis Collins. "É o primeiro investimento no que virá a ser uma lista muito longa, que vai dar poder à comunidade científica para explorar o potencial da pesquisa com células-tronco embrionárias."
Ainda de acordo com o "Post", o movimento foi aclamado por todos os apoiadores da pesquisa como uma longa espera, um divisor de águas que finalmente permitirá que cientistas usem milhões de dólares arrecadados pelos impostos para estudar centenas de linhas de células-tronco --algo que foi limitado e restrito pelo antecessor de Obama, George W. Bush, cujo impedimento se sustentou sob o argumento moral.
"Era isso o que estávamos esperando", disse a cientista Amy Comstock Rick, da Coalizão para Avanço da Pesquisa Médica, grupo que lidera os esforços de lobby para desamarrar as restrições federais na pesquisa. "Estamos muito animados."
Na era Bush, a verba federal para cientistas era limitada para determinadas linhas de pesquisa com células-tronco, que foram muito criticadas como improdutivas e deficientes. As regras de financiamento na separação de financiamento público e privado foram erigidas de forma "burocrática e desajeitada", diz o jornal --o que acabava por frustrar diversas formas de verba.
Agora, embora as pesquisas com células-tronco embrionárias poderão ser elaboradas a partir de financiamento privado e público, que permitirão experimentos em uma variedade de linhas, expandindo o número de cientistas e tipos de experimentos.
Reação moral
O anúncio, entretanto, foi condenado por opositores das pesquisas, cujo argumento principal se fundamenta na falta de ética e no suposto fato de que o trabalho é desnecessário, porque há disponibilidade de células-tronco adultas e outras alternativas recentemente identificadas.
"Eticamente, nós não acreditamos que qualquer contribuinte de impostos tem que financiar as pesquisas que destroem a vida humana em qualquer estágio", disse Richard M. Doerflinger, da Conferência de Bispos Católicos dos EUA. "Mas a tragédia disso é multiplicada pelo fato de que ninguém pode pensar que tipo de problema pode ser resolvido por estas células."
O diretor da NIH, cristão evangélico que descarta o conflito entre ciência e religião, defende o trabalho. "Acho que há um argumento que pode fazer que isso seja eticamente aceitável", disse Collins. "Se você acreditar na inerente santidade do embrião humano."
Muitos cientistas acreditam que as células-tronco embrionárias vão permitir conhecimento fundamental nas causas de muitas doenças, e que poderão ser usadas para curar diabetes, mal de Parkinson, paralisias e outras enfermidades. A extração das células, contudo, destrói embriões com poucos dias de idade.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u660722.shtml
Entenda a autorização de pesquisa com células-tronco embrionárias de humanos
da Folha Online
A autorização inédita dada pelo governo dos Estados Unidos para 13 pesquisas distintas com células-tronco embrionárias foi publicada na edição on-line do jornal "Washington Post" desta quarta-feira (2).
"Com essa liberação, mais grupos serão formados. Com mais cérebros pensando, rapidamente aparecerão as soluções para diversos problemas de saúde", ressalta Lygia da Veiga Pereira, chefe do laboratório de genética molecular da USP (Universidade de São Paulo).
Para a especialista, a autorização atesta que o governo acredita nas pesquisas e quer dar mais liberdade para os cientistas americanos desenvolverem todo o potencial que existe nos estudos com células embrionárias.
Barack Obama já havia revertido a medida do presidente anterior, George W. Bush (2001-2008), por meio de um decreto, liberando o uso de dinheiro público para os estudos. Lygia da Veiga Pereira lembra que a restrição era repudiada pela comunidade científica.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/podcasts/ult10065u660926.shtml
Rio inaugura primeira grande fábrica de células-tronco do Brasil
REINALDO JOSÉ LOPES
enviado especial da Folha de S. Paulo ao Rio
Pesquisadores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) inauguraram ontem a primeira grande fábrica de células-tronco do país. O objetivo é distribuir linhagens dessas células para dezenas de centros de pesquisa Brasil afora, de maneira que futuros testes de laboratório --e, com sorte, de terapia celular em pessoas-- sejam padronizados e tenham resultado mais confiável.
O Lance (Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias) fabricará não só linhagens de células embrionárias humanas, famosas por sua versatilidade quase ilimitada (podem assumir a função de qualquer tecido do organismo adulto), mas também as chamadas células iPS. Esse outro tipo é aquele produzido quando um pedaço do organismo adulto, como uma célula da pele, é "convencido" a retornar a um estado mais primitivo, tão versátil quanto o embrionário.
A esperança é que ambos desempenhem um papel importante na medicina do futuro. As duas classes de célula podem ajudar a reconstruir a dinâmica de doenças humanas em laboratório e servir como plataforma para teste de novas drogas.
Também há chance de usá-las para reconstruir tecidos e órgãos lesados, como os neurônios desfuncionais de uma pessoa com mal de Parkinson, embora nenhum teste em humanos tenha ocorrido até agora.
Criatividade e esperança
Com recursos do Ministério da Saúde, do CNPq, da Finep e do BNDES, o Lance é uma tentativa de aplicar resultados da pesquisa básica em saúde.
O diretor do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, Roberto Lent, disse que a iniciativa marca um momento de "criatividade e esperança" para a instituição, que está fazendo 40 anos. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, foi o responsável por inaugurar oficialmente o laboratório ontem.
O novo laboratório terá também um braço na USP. Os 26 pesquisadores da ala carioca do Lance se destacam, junto com seus colegas paulistas, pela experiência já adquirida na área.
Foram os primeiros da América Latina a produzir células iPS, um truque delicado de manipulação genética, e os primeiros a produzirem uma tese de doutorado e um artigo científico sobre células-tronco embrionárias humanas no Brasil.
O grupo também anda otimizando técnicas para a produção e a análise dessas células em larga escala.
A ideia é usar esse know-how como controle de qualidade das linhagens celulares que serão empregadas para pesquisa no Brasil.
Os cientistas planejam garantir que as células distribuídas estejam livres de contaminação bacteriana, sem anomalias genéticas e com pluripotência (versatilidade na transformação em outros tipos).
Comparabilidade
Stevens Rehen, o biólogo coordenador do laboratório, diz que será preciso encontrar equilíbrio entre a padronização das linhagens e a criatividade de cada grupo de pesquisa.
"Posso chegar a um protocolo numa determinada linhagem que é boa para produzir neurônios, e para mim está ótimo", explica o cientista. Segundo ele, porém, isso não basta. "É importante que seja possível comparar as linhagens durante testes clínicos, por exemplo, porque é comum cada uma se comportar de modo diferente."
Outro fator a ser considerado pelos cientistas é a composição genética das células, que influi na maneira com que elas reagem a drogas, por exemplo.
"A [linhagem] que testamos era cerca de 98% europeia. Pode ser que nunca consigamos amostrar toda a diversidade genética brasileira, porque quem tem acesso a clínicas de fertilização [fornecedoras de células embrionárias] tende a representar uma fatia mais europeia da população", afirma.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u659972.shtml
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
NA ÚLTIMA MATÉRIA DA SÉRIE DE REPORTAGENS ESPECIAIS SOBRE CIÊNCIA, SAIBA EM QUE SITUAÇÃO ESTÃO AS PESQUISAS COM CÉLULAS-TRONCO NO BRASIL.
"Nós temos naturalmente que mudar esse quadro da evolução da doença, ela é muito agressiva."
José Carlos explica que o tratamento que seu filho recebe é apenas paliativo. Por isso, aposta todas as esperanças nas pesquisas com células tronco. Durante muito tempo, a expectativa de vida para os portadores da distrofia muscular de duchenne era de 20 a 25 anos. Mas hoje, com a utilização de aparelhos de respiração artificial, o tempo de vida dos pacientes aumentou 10 anos. A coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano, Mayana Zatz, uma das maiores autoridades do país quando se fala em células-tronco, diz que as pesquisas nessa área precisam justamente de cerca de dez anos para apresentar resultados práticos.
"E dez anos é o que a gente precisa, eu acho, para transformar essas pesquisas em tratamento. O que a gente não quer de jeito nenhum é arriscar injetar células tronco e que elas se transformem em um tumor. A gente sabe que existe esse risco. Então se você injetar células-tronco quando ela ainda está no começo da diferenciação, quando ela tem aquele potencial para fazer muitos tecidos, ela também tem o potencial de formar tumores. Entao você tem que injetar quando ela está num período mais diferenciado, ou seja, ela já tem um compromisso de virar músculo, ou osso, ou sangue. Só quando a gente tiver esse controle, quando a gente conseguir mandar nessas células e dizer assim: você vai me obedecer, você só vai fazer isso, a gente vai poder injetar no organismo."
As células tronco representam uma chance para a descoberta de tratamentos para doenças atualmente incuráveis como mal de Parkinson, diabetes, graves problemas no coração e distrofias musculares. Além disso, a cura para lesões causadas por acidentes também está sendo estudada pelos pesquisadores. A equipe do Centro de Pesquisa Gonçalo Moniz, da Fiocruz, na Bahia, realizou o pioneiro transplante de células de medula óssea em pacientes com problemas cardíacos devido à doença de Chagas. Milena Soares, imunologista e pesquisadora do Centro de Pesquisa Gonçalo Moniz, é responsável pelo estudo. Ela explica que as células-tronco são uma alternativa mais simples e barata e com menos complicações que o tradicional transplante de coração.
"Nesses pacientes, os estudos iniciais indicam que há uma melhora da função cardíaca, e consequentemente da qualidade de vida desses pacientes. Mas a gente só pode afirmar que a terapia é realmente eficaz após a análise dos resultados desse estudo multicêntrico que está sendo realizado."
O estudo multicêntrico citado por Milena envolve 33 centros de pesquisa, em nove estados e no Distrito Federal, financiados pelo Ministério da Saúde, visando encontrar nas células-tronco uma solução para cardiopatias graves. Milena Soares destaca que as áreas com pesquisas mais avançadas no Brasil são cardiologia, neurologia e doenças do fígado. A imunologista explica que as células-tronco adultas são retiradas da medula óssea do próprio paciente.
"Na área de cardiologia, que é a mais avançada, a gente está realizando o maior estudo com terapia de células-tronco do mundo, incluindo 1.200 pacientes. É um estudo que está sendo financiado pelo Ministério da Saúde, e que estão sendo incluídos pacientes com 4 cardiopatias. E nesse estudo vai se comprovar a eficácia, ou não, desse tratamento."
A esperança depositada nas células-tronco para cura de doenças levou pacientes, pais e pesquisadores a se unir para criar o movimento em prol da Vida, o Movitae, em 2003. A presidente do grupo, Andréa Bezerra Albuquerque, ressalta a impaciência dos doentes, esperando que o resultado das pesquisas traga a tão almejada cura. Mas Andréa lembra que o tempo da ciência é muito diferente do nosso.
"Atualmente, não tem nada que se possa fazer com a medicina tradicional, a não ser um tratamento paliativo, um suporte, para deixar o paciente confortável, mas são doenças que não param, vão progredindo até a morte mesmo."
Foi recentemente lançado um portal na internet chamado Instituto Virtual de Células-Tronco, no endereço eletrônico www.ivct.org . O site vai reunir vários pesquisadores em células-tronco, num ambiente onde podem trocar experiências virtualmente. Além disso, os pacientes e familiares podem tirar todas as dúvidas sobre doenças e as pesquisas com células-tronco.
De Brasília, Adriana Magalhães.
E AQUI TERMINA AQUI A SÉRIE DE REPORTAGENS ESPECIAIS SOBRE CIÊNCIA. TEXTO E PESQUISA DE ADRIANA MAGALHÃES, PRODUÇÃO DE LUCÉLIA CRISTINA, COORDENAÇÃO E EDIÇÃO DE APRÍGIO NOGUEIRA E PRODUÇÃO DE LUCÉLIA CRISTINA.
segunda-feira, 13 de novembro de 2006
http://www.camara.gov.br/internet/radiocamara/default.asp?selecao=MAT&Materia=43462
sábado, 9 de janeiro de 2010
Normas para células-tronco estão em consulta pública
A proposta da Agência assegura a qualidade e a segurança dos procedimentos de pesquisa por meio do estabelecimento de requisitos mínimos. O documento atribui aos Centros a responsabilidade por todos as técnicas relacionadas ao preparo das células-tronco humanas e seus derivados. As atividades incluem coleta, processamento, acondicionamento, armazenamento, testes de controle de qualidade das células, assim como o descarte e a liberação para uso e transporte.
Para utilizar as células-tronco humanas e seus derivados em tratamentos, o interessado deve comprovar o reconhecimento da prática terapêutica pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Além disso, as células utilizadas só poderão ser fornecidas pelos CTCs.
Instituições de pesquisa e serviços de saúde que realizem pesquisa clínica com células-tronco humanas e derivados devem submeter seus projetos à apreciação e aprovação dos respectivos comitês de ética em pesquisa, na forma descrita pela resolução do Conselho Nacional de Saúde.
A proposta determina, ainda, que os Centros devem apresentar licença de funcionamento, licença sanitária ou alvará sanitário atualizado, emitido pelo órgão de vigilância sanitária local. O documento está disponível na internet, no endereço www.anvisa.gov.br. Após a Consulta Pública, a norma deve ser aprovada pela Diretoria Colegiada da Anvisa para entrar em vigor.
FONTE : http://www.brasil.gov.br/noticias/em_questao/.questao/eq959c/
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Fontes alternativas de células tronco
Devido às dificuldades de se encontrar doadores de medula óssea, busca-se fontes alternativas de células- tronco. Pesquisas demonstraram que, durante a gestação, o sangue de cordão umbilical é uma fonte rica de células-tronco.
Após o parto, o sangue que permanece no cordão umbilical e na placenta, contendo células tronco, era geralmente descartado. A partir dessa descoberta, as células-tronco obtidas do sangue de cordão umbilical vêm sendo utilizadas em modelos terapêuticos onde é indicado o transplante de medula óssea.
Quando o paciente utiliza suas próprias células-tronco (autólogo) não há rejeição, podendo, inclusive, ser utilizadas, com aproximadamente 30% de chance de compatibilidade com parentes consangüíneos. Portanto, as células-tronco do cordão umbilical são muito mais
eficientes para o futuro uso terapêutico.
O transplante pode ser autólogo, quando as células precursoras de medula óssea provêm do próprio indivíduo transplantado (receptor). Ele é dito alogênico, quando a medula ou as células provêm de um outro indivíduo (doador). O transplante também pode ser feito a partir de células precursoras de medula óssea obtidas do sangue circulante de um doador ou do sangue de cordão umbilical.
Nos transplante alogênicos, com doador, com a recuperação da medula, as novas células crescem com uma nova "memória" e, por serem células da defesa do organismo, podem reconhecer alguns órgãos do indivíduo como estranhos. Esta complicação, chamada de doença enxerto contra hospedeiro, é relativamente comum, de intensidade variável e pode ser controlada com medicamentos adequados, mas também pode ocasionar a morte do transplantado.
O sangue do cordão umbilical é fonte de células tronco hematopoieticas, de fibroblastos, de células-tronco vascular e de células mesenqüimais, que serão, em breve, utilizadas pela Medicina Regenerativa (Medicina Translacional) para a recuperação ou até mesmo, para a reprodução de órgãos lesados.
http://msn.minhavida.com.br/conteudo/1664-Fontes-alternativas-de-celulas-tronco.htm
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Estudo localiza célula-tronco adulta em vaso sanguíneo
>> Entenda o que são células embrionárias
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto concluíram, após cinco anos, um estudo que demonstra que as células-tronco adultas mesenquimais estão nas paredes de todos os vasos sanguíneos. Antes disso, essas células eram mais encontradas na medula óssea. A pesquisa, feita por profissionais do Hemocentro e do Hospital das Clínicas (HC), foi publicada na edição de março da revista científica internacional Experimental Hematology. "Esse é um conceito novo e muda a nossa visão sobre essas células", diz o pesquisador Dimas Tadeu Covas, que preside o Hemocentro e é professor da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão.
Células-tronco, adultas e embrionárias, são células indiferenciadas e, por essa característica, têm o potencial de serem usadas no tratamento de diferentes doenças degenerativas, como lesões cardíacas. As mesenquimais dão origem a componentes do sangue. "Estando nos vasos sanguíneos, elas controlam inúmeros mecanismos de reparo e regeneração", afirma o cientista.
Segundo Covas, os resultados da pesquisa ainda são iniciais e agora é necessário entender essa célula para estudar a possibilidade de uso em tratamentos clínicos. "Abriu-se uma avenida nova de investigação", afirma ele. "Com a análise inicial, podemos intervir e começar a trabalhar especificamente com células de cada um dos tecidos, para ver como se comportam." O objetivo da equipe é estudar como elas agem no fígado, no cérebro e em outras partes do corpo. Covas explica que, apesar da descoberta, a medula óssea continua sendo uma fonte importante de células-tronco adultas, por sua facilidade de obtenção.
Enquanto o uso de células-tronco adultas é permitido no Brasil, a utilização das embrionárias está sob julgamento no Superior Tribunal Federal (STF). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
http://www.atarde.com.br/brasil/noticia.jsf;jsessionid=530325A61242D303225BAB6E44B4103E.jbosscliff1