ESTE BLOG TEM POR FINALIDADE ABSORVER TODAS AS POSSÍVEIS INFORMAÇÕES,NO QUE DIZ RESPEITO AS PESQUISAS COM CÉLULAS-TRONCO.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Célula-tronco adulta não remonta coração, mostra estudo

15/04/2010 - 09h40

REINALDO JOSÉ LOPES
da Reportagem Local

Uma análise dos resultados conseguidos até agora com o uso de células-tronco para tratar doenças cardíacas mostra que ainda vai ser preciso muito trabalho para que seja possível falar em curas.

As células-tronco adultas, por exemplo, revelaram-se incapazes de reconstruir o tecido do coração, ao contrário do que se esperava, e o uso de outros tipos celulares em pessoas ainda está distante.

"Eu não diria que se trata de uma avaliação pessimista, embora, de fato, ela seja bastante crítica", disse à Folha o médico José Eduardo Krieger, do Incor (Instituto do Coração). "O importante é que o campo está mais maduro.

E é claro que a gente não conseguiria saber onde a coisa não funcionou, e como melhorar, sem esses oito anos de tentativas", afirma Krieger, que assina a análise junto com colegas da Holanda no periódico científico "Science Translational Medicine".

No caso das células-tronco adultas, em geral obtidas do próprio paciente que vai ser tratado, o balde de água fria é mais dolorido porque elas chegaram rápido aos testes com pacientes humanos.

Rejeição

Isso aconteceu porque o transplante desse tipo de célula, ao ocorrer dentro do mesmo organismo, por assim dizer, não traz riscos de rejeição. Havia a expectativa de que ao menos algumas delas pudessem ter grande versatilidade, assumindo o papel das células do coração e reconstruindo o órgão.

Esse potencial de "curinga" é real no caso das células-tronco embrionárias. Mas, no caso das adultas, a coisa se revelou mais complexa. "Elas não são o curinga do baralho, como a gente acreditava na fase inicial, mais ingênua, da pesquisa", diz Krieger.

Administrá-las até melhora um pouco a atividade cardíaca, aparentemente porque elas produzem substâncias que levam o órgão a se regenerar em parte, além de facilitarem o surgimento de vasos sanguíneos, o que também ajuda.

Conforme os testes clínicos foram abarcando mais pacientes, as supostas melhoras dramáticas dos primeiros doentes foram ficando menos impressionantes. "Nesses casos, é provável que o efeito placebo [a simples influência psicológica positiva do tratamento sobre o doente] tenha agido."

Novos rumos

As decepções, contudo, devem trazer correções de rumo. Para Krieger, as células adultas podem virar a abordagem indicada para prevenir problemas mais sérios, como infartos, em certos pacientes.

No caso de pessoas com o coração "crescido" por problemas como o mal de Chagas, mesmo as células embrionárias não serão capazes de corrigir o formato do órgão -uma cirurgia de reconstrução é indispensável.

"E, em outros casos, precisamos gerar novas células cardíacas, e para isso um caminho é reprogramar células adultas para que elas se comportem como embrionárias", diz ele, referindo-se às chamadas células iPS, uma das grandes promessas do ramo hoje.

Também pode-se buscar as poucas células do coração com capacidade de se regenerarem e transplantá-las.


http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u721159.shtml

sábado, 13 de março de 2010

Pesquisas com células-tronco reúnem grupo multidisciplinar

MANUEL ALVES FILHO

A Unicamp está organizando um grupo multidisciplinar para desenvolver pesquisas em torno da aplicação das células-tronco. Os estudos envolverão especialistas de diversas áreas da Universidade e contarão com a colaboração de outras instituições que também estão envolvidas com o tema. De acordo com uma das integrantes do grupo, a médica hematologista e responsável técnica pelo Banco de Sangue de Cordão Umbilical do Centro de Hematologia e Hemoterapia (Hemocentro), Ângela Cristina Malheiros Luzo, a expectativa é que os trabalhos tenham início ainda no segundo semestre deste ano. “A Unicamp já conta com pessoal e infra-estrutura adequada para esse tipo de empreitada. Nós só dependemos de recursos para bancar os vários procedimentos, que são muito caros”, afirma. Pedidos de financiamento já foram encaminhados ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que deverão analisá-los em breve.
Pedidos de financiamento já foram encaminhados

A formação do grupo multidisciplinar colocará a Unicamp, ao lado de poucos centros no Brasil, na vanguarda das pesquisas com células-tronco. Ângela Luzo explica que as linhas de investigações foram definidas a partir das experiências acumuladas pelos especialistas, que há vários anos desenvolvem trabalhos relacionados ao tema. Num primeiro momento, os cientistas tentarão diferenciar as linhagens celulares, a partir de fontes como a medula óssea, célula-tronco periférica (CTP) e sangue de cordão umbilical. O objetivo é identificar quais as vantagens e desvantagens proporcionadas por elas. A pesquisadora do Hemocentro esclarece que a ciência tem um razoável nível de informação sobre o funcionamento das células-tronco, mas considera que ainda há muito que ser descoberto.

O uso da medula óssea como fonte de células-tronco, por exemplo, soma 40 anos. Já as pesquisas em torno do cordão umbilical e da CTP têm, respectivamente, ao redor de 20 e 30 anos. “As células-tronco obtidas dessas fontes parecem ter características diferentes, sendo as de sangue de cordão mais primitivas que as da medula e de sangue periférico. O Hemocentro começou a investigar o uso de célula-tronco de cordão em 1995, em pesquisa com camundongos portadores de imunossupressão severa combinada (SCID), que foram transplantados com sangue de cordão. Os estudos de diferenciação de células-tronco de linhagem hematopoiética (medula óssea, sangue de cordão e CTP) para outras linhagens celulares estão apresentando resultados interessantes, na literatura internacional, mas ainda se encontram em fase experimental na maioria dos centros de pesquisa. Tudo isso ainda é muito inicial”, diz. Sobre as pesquisas com células-tronco embrionárias, Ângela Luzo considera que elas são ainda mais incipientes, inclusive no plano internacional.

Os trabalhos nessa linha, segundo ela, ocorrem em poucos países. Na maioria das nações européias, por exemplo, esse tipo de pesquisa segue proibido. “A célula embrionária é tão indiferenciada que alguns experimentos apontam que ela tem capacidade de se transformar em qualquer tipo de tecido, inclusive o neoplásico [com tumor], que evidentemente não é o que a gente quer. Em outras palavras, até que os cientistas saibam como manipular adequadamente esse tipo de célula, será preciso algum tempo. Se pensarmos que as pesquisas com células-tronco de cordão umbilical têm 20 anos e que ainda sabemos pouco sobre elas, isso dá um parâmetro do que ainda temos que percorrer para encontrar todas as respostas”, compara.

Trabalho conjunto – De acordo com Ângela Luzo, embora as equipes que comporão o grupo multidisciplinar ainda estejam sendo formadas, o projeto já está estruturado. Ao Hemocentro, por exemplo, caberá fornecer as células-tronco para os demais laboratórios. O professor Antonio Carlos Boschero, do Departamento de Fisiologia e Biofísica do Instituto de Biologia (IB), desenvolverá um estudo em colaboração com o laboratório da professora Sara Saad, médica hematologista e vice-coordenadora do Hemocentro. Será uma tentativa de diferenciar, a partir de sangue de cordão, a linhagem pancreática. O professor Ibsen Bellini Coimbra, do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Ciências Médicas (FCM), estará voltado para diferenciação de sangue de cordão para condrócitos [células cartilaginosas adultas]. O professor Li Li Min, do Departamento de Neurologia da FCM, também trabalhará com célula-tronco extraída do sangue de cordão, mas a relacionará à linhagem neuronal. O especialista pretende utilizar nanopartículas para marcar a possível diferenciação celular.
A professora Joyce Maria A. Bizzacchi, hematologista e coordenadora do Hemocentro, atuará junto com uma equipe do Incor, que estuda o uso da célula-tronco de medula óssea no tratamento da insuficiência arterial periférica. Outro trabalho a ser executado, este pelo grupo do Hemocentro e sob a coordenação da professora Sara Saad, é a análise da diferenciação das células-tronco de sangue de cordão e de medula óssea em células hepáticas. Por fim, há outros dois projetos em andamento, que também deverão fazer parte do “pacote” de pesquisas. Um deles é elaborado por especialistas em neurocirurgia do Hospital Estadual de Sumaré, unidade de saúde administrada pela Unicamp, juntamente com o grupo do Hospital Sírio Libanês, de São Paulo. O outro envolve o grupo de cirurgia cardíaca e está sob supervisão do professor Reinaldo Wilson Vieira. Em ambos os projetos a manipulação da célula-tronco caberá ao grupo do Hemocentro. “Nossa expectativa é que os trabalhos comecem ainda no segundo semestre. Trata-se de um grupo multidisciplinar e cooperativo. Cada especialidade vai interagir com a outra, de modo que tenhamos a oportunidade de promover análises conjuntas. Esta parceria entre diferentes pesquisadores e instituições certamente enriquecerá o trabalho”, prevê Ângela Luzo.

Sem sensacionalismo – As pesquisas com células-tronco são muito promissoras, mas ainda demandarão um certo tempo antes que gerem técnicas que possam ser aplicadas em seres humanos, como observa a médica e pesquisadora Ângela Luzo, do Hemocentro da Unicamp. De acordo com ela, a maioria dos estudos em desenvolvimento encontra-se em fase pré-clínica. Ou seja, os experimentos seguem sendo feitos com animais de laboratório. Além disso, os resultados alcançados por um grupo de pesquisa precisam ser repetidos por outros, a partir da mesma metodologia. Só a difusão da técnica e a troca de informações, explica a especialista, farão com que a ciência chegue a um grau de segurança e eficácia adequado. Por isso, prossegue a estudiosa, é preciso informar a população de forma correta e responsável sobre o andamento e as possibilidades das pesquisas.
Não foi isso o que aconteceu, na opinião de Ângela Luzo, num passado recente. O modo como o assunto foi tratado pela mídia, afirma ela, criou uma ilusão nas pessoas que sofrem de problemas sérios, como diabetes, cardiopatias, lesões neuronais ou limitações motoras. “Ainda tem gente imaginando que daqui a dois ou três meses poderá entrar numa fila, para ser voluntário num determinado estudo. E que daqui a um ano, o cego voltará a enxergar e o paraplégico tornará a andar. Não é assim. Insisto que vamos precisar de algum tempo para saber como e em que situações poderemos empregar a terapia da célula-tronco”, pondera. Diariamente, conta a especialista, o Hemocentro recebe e-mails e telefonemas de pessoas querendo se oferecer como “cobaias” para eventuais pesquisas.
Estas são informadas que não há experimentos desse tipo em andamento e que os possíveis avanços obtidos pela ciência serão oportunamente divulgados. Ocorre, porém, que uma pessoa portadora de doença grave acaba ficando ansiosa com qualquer tipo de informação positiva sobre o tema célula-tronco. Assim, uma notícia dando conta de que um paciente na Coréia melhorou ao ser submetido a esse tratamento já é suficiente para gerar uma expectativa enorme. “Antes de saber se o método é eficaz, é preciso checar se ele está respaldado pela ciência e se houve experimento prévio em animais. Se tudo isso for comprovado, ainda é preciso levar em conta que se trata de um único caso. Os resultados precisam ser repetidos algumas vezes, por diferentes equipes, para saber se a técnica pode ser utilizada de forma terapêutica. Nessa área, é preciso ter muito cuidado para não gerar falsas expectativas”, adverte Ângela Luzo.

A terapia do futuro

Células-tronco são células pluripotentes que podem se diferenciar e constituir variados tecidos do organismo. Trata-se de uma capacidade especial, pois as demais células só podem fazer parte de um tecido específico. Ou seja, células da pele só podem constituir a pele. Outra propriedade das células-tronco é a auto-replicação. Traduzindo, elas podem gerar cópias idênticas de si mesmas. Por causa dessa dupla importância, têm sido alvo de intensas pesquisas no mundo todo, pois poderiam funcionar como substitutas em tecidos lesionados ou doentes, como no caso de Alzheimer, Parkinson e outras doenças neuromusculares em geral, bem como no lugar de células que o corpo deixa de produzir por alguma deficiência, como no caso do diabetes.
A terapia com células-tronco consiste, portanto, em tratar doenças e lesões através da substituição de tecidos doentes por células saudáveis. Um dos exemplos mais conhecidos desse tipo de procedimento, cuja eficácia está amplamente comprovada, é o transplante de medula óssea em pacientes com leucemia. A medula óssea do doador contém células-tronco sangüíneas que fabricam novas células sangüíneas sadias. A expectativa dos cientistas é que no futuro muitas doenças degenerativas, hoje incuráveis, possam vir a ser tratadas por meio dessa terapia.


http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/junho2005/ju293pag03.html

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Laser, células-tronco, odontologia e câncer

VEJA publicou na primeira semana de janeiro uma longa reportagem sobre os benefícios dos lasers em várias áreas da medicina. Além dessas aplicações, essa nova tecnologia tem importante uso na odontologia e também na prevenção e tratamento das mucosites orais de pacientes submetidos a altas doses de quimio e radioterapia, com significante melhora da sua qualidade de vida. Recentemente, fizemos uma pesquisa sobre o tema em colaboração com o professor Carlos de Paula Eduardo, titular da Faculdade de Odontologia da USP. Analisamos os efeitos do laser de baixa potência na proliferação de células-tronco. Os resultados, que foram publicados na revista Lasers in Surgery and Medicine, foram muito interessantes - e explicam porque os raios laser atuam na regeneração celular.

Os lasers ajudam na recuperação de mucosas

A equipe de cirurgiões dentistas da Faculdade de Odontologia da USP, sob a coordenação do professor Carlos, é apaixonada pelos lasers há muito tempo. Perceberam há alguns anos que, quando utilizavam os lasers de baixa potência nos tecidos moles bucais, em lesões benignas onde as mucosas estavam comprometidas, elas se recuperavam mais rapidamente. Se você já teve herpes com manifestações bucais ou aftas alguma vez na vida deve saber o quanto isso incomoda. Imagine então lesões maiores na boca.

Como agem os lasers?

Como pesquisadores que somos, possuídos pela curiosidade, não nos contentamos em apenas observar esse efeito. Isso era pouco. Queríamos saber mais… Qual era o mecanismo pelo qual os lasers interagiam com as mucosas? Será que eles atuariam também sobre as células-tronco? E para responder essa questão fizemos um experimento muito simples.

O efeito dos lasers nas células-tronco

Estabelecemos uma cultura de células-tronco a partir da polpa dentária que foi separada em dois grupos e que foram cultivados segundo os protocolos habituais. A diferença é que no primeiro grupo aplicamos também o laser - e no segundo, não. É importante ressaltar que trata-se de um laser de baixa potência. Após um período de 24 horas, as células foram analisadas em teste cego, ou seja, quem observava os resultados não sabia se as células tinham sido irradiadas ou não. E adivinhem o que aconteceu? As células, em déficit nutricional, submetidas à irradiação com laser de baixa potência, haviam proliferado mais. Acabávamos de comprovar que eles atuavam na divisão celular das células-tronco da polpa dentária. Tínhamos a explicação para a melhor recuperação das mucosas alteradas.

O valor do laser para pacientes com câncer

A quimioterapia e a radioterapia de cabeça e pescoço podem causar lesões importantes nas mucosas bucais. Cirurgiões dentistas que estão trabalhando em hospitais e universidades têm dado atenção especial aos pacientes que são submetidos a altas doses de quimioterapia e radioterapia nessas partes do corpo. Eles podem apresentar manifestações severas nos tecidos moles da boca, uma inflamação da mucosa chamada mucosite oral, que provoca muita dor e extrema dificuldade na hora de comer. Além disso, essas feridas tornam-se porta de entrada para microorganismos, aumentando significativamente o risco de infecções.

Todos os centros de quimio e radio deveriam ter lasers

É fundamental que os protocolos utilizados nas quimioterapias sejam discutidos, entendidos e aplicados por equipes multiprofissionais (médicos, dentistas, enfermeiras, etc), pois é necessário um profundo conhecimento científico da tecnologia laser para alcançar os benefícios desejados . Mas vale a pena. As mucosas se recuperam rapidamente sem efeito colateral e o paciente ganha muito em qualidade de vida!

O doutor Carlos conta a história de uma garotinha de 3 anos que havia sido internada para transplante de medula óssea e tinha muitas lesões bucais. Amedrontada, chorou quando o protocolo de laserterapia foi iniciado. Mas à medida que foram aparecendo os efeitos do tratamento e o alivio da dor, ela mesmo pedia o laser antes de tomar o café da manhã. Era preciso que a equipe de odontologia fosse cedinho ao hospital, mas o seu sorrisinho de satisfação compensava qualquer esforço. É por isso que defendemos que todos os centros de quimioterapia e radioterapia tenham a tecnologia laser integrada ao serviço prestado. O custo do equipamento laser de baixa potência, de origem nacional, é baixo - e o retorno para a saúde do paciente é gigantesco.

Por Mayana Zatz


Laser, células-tronco, odontologia e câncer


http://veja.abril.com.br/blog/genetica/

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Das questões técnicas às éticas, livro discute células-tronco e outras tecnologias

Fernanda Marques

Em tempo de acirrada discussão sobre o uso de células-tronco embrionárias em pesquisas, é fundamental que o cidadão se mantenha bem informado e participe dos debates. Uma boa fonte de informações sobre este e outros temas da atualidade é o livro Novas tecnologias da genética humana: avanços e impactos para a saúde, recém-lançado pelo projeto Ghente, coordenado pela Fiocruz. O livro traz a reprodução de dois seminários realizados pelo Ghente, bem como textos complementares. Ao todo, quase 30 autores assinam a obra.

“Células-tronco são definidas como células indiferenciadas e não especializadas que têm a capacidade de realizar divisões simétricas e assimétricas. Da primeira, originam-se duas novas células-tronco (indiferenciadas). Da segunda, originam-se duas células distintas: uma indiferenciada e outra diferenciada (especializada). Essas células-filhas especializadas são dotadas de funções específicas que variam de acordo com o tecido que essas novas células irão formar”, explicam Antônio Carlos Campos de Carvalho e Cristiane del Corsso, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Em relação à fonte de obtenção, as células-tronco podem ser originárias do embrião, do feto, do cordão umbilical e do adulto”, completam.

Terapias com células-tronco adultas têm sido propostas por uma equipe baiana que reúne especialistas dos hospitais Santa Izabel e São Rafael e da Fiocruz. “Em uma pesquisa pioneira no mundo, foram estudados, em uma primeira fase, 30 pacientes chagásicos com insuficiência cardíaca. Em outro projeto, também pioneiro no mundo, 30 pacientes com doenças crônicas do fígado foram estudados. Os resultados destes estudos foram promissores e serviram de base para a realização de novas análises visando à confirmação da ação da terapia celular nestas doenças e para o aprimoramento desta nova modalidade terapêutica”, contam Ricardo Ribeiro dos Santos e Milena Botelho Pereira Soares, da Fiocruz da Bahia.

Contudo, o livro não se restringe aos aspectos técnicos das pesquisas. Ele vai além ao propor uma discussão bioética. “Nas pesquisas com células embrionárias, as questões éticas estarão especialmente relacionadas à utilização de embriões. Não tenho dúvida de que a intenção da maioria dos pesquisadores envolvidos nessas pesquisas é boa. Mas há um forte questionamento sobre a partir de quando e até quando se deve considerar razoável, ou aceitável, a utilização dos embriões para a obtenção dessas células. A questão básica é o embrião. Não adianta focarmos outras questões. E por quê? Porque há uma discussão sobre quando se considera que há vida”, diz Sérgio Rego, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp) da Fiocruz. Para alguns, há vida desde a concepção. Para outros, a vida está associada à noção de pessoa. “E quando podemos considerar que existe uma pessoa, nas células humanas agrupadas? Há também uma diversidade de opiniões”. Esta é a discussão e ela está longe de ser encerrada, como demonstra o atual embate em torno da Lei de Biossegurança.

Além das células-tronco, diversas outras temáticas são abordadas no livro, como a terapia gênica, a farmacogenética e a nanobiotecnologia. De modo geral, a publicação apresenta um panorama do estado da arte das pesquisas e propõe reflexões sobre as conseqüências dessas pesquisas para a sociedade. Políticas públicas, bioética, regulamentação e proteção legal das novas tecnologias também são alvo de análises. A íntegra do livro está disponível aqui.

Criado em 2001, o projeto Ghente reúne profissionais das diversas áreas do conhecimento, representantes de instituições públicas e privadas, organizações civis e sociedade, com o objetivo de promover a discussão sobre as implicações sociais, éticas e jurídicas do uso de genomas, em especial o genoma humano, na área da saúde.


http://www.fiocruz.br/ccs/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1634&sid=10

domingo, 31 de janeiro de 2010

Britânicos apresentam novo tratamento para câncer de mama

Publicado por: Ricardo Menacker em: dezembro 1, 2009

Uma equipe de pesquisadores britânicos apresentou, nesta segunda-feira, 1º de junho, um novo tratamento contra o câncer de mama hereditário – o que poderia devolver a esperança a um grupo que desenvolve, em muitos casos, os tipos mais agressivos dessa doença, e com um maior índice de recaída.
O novo tratamento, batizado pela farmacêutica britânica Astrazeneca como Olaparib, atua inibindo a enzima “Parp”, uma molécula utilizada pelas células cancerígenas para reparar o DNA após as sessões de quimioterapia e prosseguir, assim, sua expansão pelo organismo.
Ao impedir este processo de regeneração, o remédio consegue que as células cancerígenas se tornem mais sensíveis à quimioterapia, aumentando a efetividade do tratamento.
O remédio atua de forma específica sobre as mutações hereditárias nos genes BRCA1 e BRCA2, e também destrói as células cancerígenas sem afetar as demais células saudáveis, com o que se eliminam os efeitos secundários derivados dos tratamentos tradicionais.
Para chegar a essa conclusão, os especialistas do King’s College, de Londres, estudaram 54 mulheres com a doença em hospitais europeus, americanos e australianos, que foram divididas em dois grupos para receber uma dose mais ou menos alta de Olaparib.
Assim, foi comprovado que no grupo que recebeu uma dose maior o tamanho do tumor foi reduzido em 40% das pacientes.
Em um dos casos, inclusive, o tumor chegou a desaparecer totalmente.
O novo medicamento também é capaz de fazer frente a um tipo de câncer que até agora foi especialmente difícil de tratar: o triplo negativo.
Embora esses pacientes respondam melhor à quimioterapia, não se beneficiam de tratamentos endócrinos nem de remédios antitumorais adequados a seu perfil genético – por isso costumam sofrer recaídas adiantadas e ter poucas possibilidades de sobrevivência.
Segundo o diretor da unidade de pesquisa do câncer de mama do King’s College, Andrew Tutt, os resultados alcançados com o novo medicamentos são “muito promissores para as mulheres com câncer de mama hereditário“, que representam 5% dos casos de tumores mamários do Reino Unido.
As mulheres com um forte histórico familiar de câncer de mama e que herdam um gene BRCA1 ou BRCA2 defeituoso têm 80% mais de probabilidades de sofrer da doença em algum momento.
Este e outros novos tratamentos contra o câncer estão sendo apresentados na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia, realizada esses dias em Orlando (EUA).
Fonte: da EFE para a Folha Online. Junho, 1, 2009.
O Blog Virgem em Câncer e Lua na Esperança! reúne sob diversas categorias e tags centenas de posts dedicados à busca da melhoria de qualidade de vida, e cura, de pacientes oncológicos, bem como prevenção. Contudo não trata o Blog do que não lhe é pertinente: fazer o papel de médicos especialistas. Procure sempre um especialista da área que busca informação. Informação é sempre a melhor ferramenta. Converse com seu médico.


http://virgemcancer.wordpress.com/2009/12/01/britanicos-apresentam-novo-tratamento-para-cancer-de-mama/

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Cientistas norte-americanos fazem célula da pele virar neurônio

28/01/2010 - 09h07

São Paulo - A criatividade dos cientistas para superar as complicações éticas que envolvem as pesquisas com células-tronco embrionárias parece não ter fim. Primeiro inventaram uma maneira de reprogramar geneticamente células da pele para se comportarem igual às embrionárias, com capacidade para se transformar em qualquer tecido do organismo. Agora, pesquisadores da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, fizeram algo ainda mais prático: inventaram uma técnica semelhante para transformar células da pele diretamente em neurônios, sem passar pela etapa de "tronco".

Em tese, isso permitiria produzir neurônios in vitro, em grandes quantidades, para o tratamento de lesões e doenças que afetam o sistema nervoso, como traumas medulares, esclerose múltipla ou Parkinson. As células seriam derivadas da pele do próprio paciente, sem risco de rejeição.

Batizadas de neurônios induzidos (iN, na sigla em inglês), as novas células foram capazes de formar sinapses e transmitir impulsos elétricos in vitro - um forte indício de que são células funcionais. Ou seja: não só parecem neurônios, mas também funcionam como tal. "Podemos dizer que nossas células são qualitativamente equivalentes a neurônios verdadeiros", disse o pesquisador Thomas Vierbuchen, da Universidade Stanford, na Califórnia.

As células ainda não foram testadas em animais, apenas in vitro. Outra ressalva é que a técnica só foi testada em células de camundongo. Mas a expectativa é grande de que funcione também em células humanas.

A técnica usada para induzir a transformação celular é a reprogramação genética. Os cientistas introduzem nas células da pele uma combinação de genes que fazem com que elas percam sua especificidade e voltem a funcionar como células "pluripotentes", equivalentes às embrionárias, com capacidade para se diferenciar em qualquer tipo de célula - por exemplo, fibras musculares ou neurônios. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultnot/estado/2010/01/28/cientistas-norte-americanos-fazem-celula-da-pele-virar-neuronio.jhtm

sábado, 23 de janeiro de 2010

ASSOCIAÇÃO PAULISTA DE MEDICINA

Sábado, 23 de janeiro de 2010

Células-Tronco
Brasil pode acompanhar pesquisas mundiais

Raquel Landim

Vencedor do prêmio Nobel de Medicina, Mario Capecchi avalia que ainda há tempo para o Brasil participar da "aventura" com células-tronco embrionárias, após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na semana passada, que autorizou a pesquisa. "O Brasil tem muitos cientistas jovens. Não é possível prever onde as descobertas importantes serão feitas", disse ao Valor.

O cientista acredita no potencial da pesquisa para encontrar a cura de doenças como Parkinson, Alzheimer ou diabetes através da descoberta de novos remédios ou da fabricação de células para transplantes. Mas enfatizou que os resultados não virão no curto prazo, mas em "15 ou talvez 20 anos".

Capecchi dividiu o prêmio Nobel de 2007 com dois pesquisadores por suas descobertas de como produzir camundongos mutantes. Ele desenvolveu uma tecnologia, o "gene targeting", que insere um gene específico nas células-tronco embrionárias dos ratos, dando origem a animais híbridos, com metade do DNA original e metade mutante. Esse método permite estudar as funções de genes específicos, que podem ser "nocauteados".

Filho de pai italiano e mãe americana, Capecchi nasceu em Verona, em 1947, e teve uma infância difícil. O pai morreu na Segunda Guerra Mundial e a mãe foi enviada para um campo de concentração. Ele viveu três anos nas ruas e chegou a passar fome. Aos nove anos, reencontrou a mãe, que sobreviveu aos nazistas. A família emigrou para os Estados Unidos, país onde descobriu sua vocação como cientista.

"Qualquer restrição à pesquisa não é uma boa idéia. Minha filosofia é que a busca de informação não têm efeitos ruins", disse. Capecchi defendeu que as aplicações da ciência devem ser analisadas por toda a comunidade, mas que "nada é definitivo". O cientista chegou a citar a clonagem humana. Ele disse que é "totalmente contra" hoje, mas consegue imaginar uma situação em que seria a única maneira de ter filhos. A seguir os principais trechos da entrevista.

Valor: As pesquisas com células-tronco geram muita expectativa. As pessoas esperam a cura para doenças como Parkinson, Alzheimer, diabetes e até paralisia. É possível alcançar resultados no curto prazo?

Mario Capecchi: As promessas são enormes, no entanto, não são para um futuro imediato. Temos que entender como trabalhar com células-tronco, como criá-las de uma forma que funcionem adequadamente. Minha estimativa é que vai levar 10, 15, talvez 20 anos. Por outro lado, se não fizermos a pesquisa, nunca chegaremos lá. É uma pesquisa extremamente excitante e importante, mas ainda para um futuro distante.

Valor: A pesquisa com células-tronco será mais valiosa para a descoberta de novos medicamentos ou para o transplante?

Capecchi: Nunca coloque todos os ovos em uma cesta. Meu palpite é que as células-tronco serão utilizadas para ambos os propósitos. A promessa é conseguir transplantes diretos, mas também é importante a habilidade de isolar células e utilizá-las para análise de medicamentos. O mais fácil é criar células in vitro e trabalhar para a descoberta de remédios, mas depois é preciso testá-los em humanos e observar se não há efeitos colaterais. É importante perseguir os dois.

Valor: O senhor desenvolveu uma poderosa ferramenta de pesquisa, o "gene targeting". Como essa técnica pode ajudar no tratamento de doenças hoje incuráveis?

Capecchi: Não utilizaremos células-tronco apenas como células-tronco. Queremos modifica-las e uma maneira de fazer isso é mexer em um gene específico. Já podemos modificar genes em células-tronco embrionárias de camundongos da maneira que quisermos e o mesmo está começando com as humanas. É aí que está o poder: modificar. Se você trabalha, por exemplo, com a doença de Parkinson, quer que as células-tronco controlem a má-formação dos neurônios ou produzam agentes capazes de induzi-los a funcionarem normalmente. Serão necessárias muitas mutações e isso é possível com o gene targeting.

Valor: O senhor criou animais híbridos, com metade do DNA original e metade mutante. Enfrentou muita controvérsia?

Capecchi: Nosso pacientes são ratos. Não enfrentamos muita controvérsia porque as pessoas entendem que é importante fazer experimentos com os ratos, aprender e então aplicar em humanos. No início, sim, tivemos uma discussão enorme sobre a tecnologia de recombinar DNA. A quantidade de papelada que tínhamos que fazer no início da pesquisa era imensa e isso nos atrasou muito. Mas, com o tempo, ficou claro que nada ruim aconteceu por conta da recombinação de DNA.

Valor: Como o senhor se sente em destruir embriões? O senhor tem questionamentos éticos?

Capecchi: Certamente tenho dúvidas, mas há outros aspectos. Por conta da fertilização in vitro, embriões foram gerados e estocados em geladeiras. Quando a geladeira fica cheia, são simplesmente jogados fora. Se os embriões são mortos de qualquer forma, por que não utiliza-los para bons propósitos? E há uma outra questão ética. Temos pacientes com Alzheimer, Parkinson, diabetes. Não devemos tentar encontrar o melhor tratamento possível? É correto ter a tecnologia e não aplicar?

Valor: O Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro aprovou uma lei que libera a pesquisa com células tronco embrionárias. É muito tarde ou ainda há tempo para o Brasil se beneficiar dessa pesquisa?

Capecchi: Ainda há muito o que aprender. Ninguém aplicou essa tecnologia ainda. O Brasil tem muitos cientistas jovens. Não é possível prever onde as descobertas importantes serão feitas. Estou muito feliz com a aprovação e espero que o Brasil contribua com essa aventura.

Valor: A pesquisa em células-tronco pode atrair investimento para o Brasil e estimular o desenvolvimento econômico?

Capecchi: A saúde é extremamente importante para o desenvolvimento econômico. Mão-de-obra saudável e produtiva é pré-requisito para o desenvolvimento. Sem isso, não existe economia forte. Pessoas talentosas que sofrem de Parkison ou Alzheimer se tornam, de repente, disfuncionais. Uma coisa interessante da biotecnologia é que não é nem de longe tão caro quanto a física, que requer máquinas enormes e tecnologia de ponta. Nesse sentido, é mais fácil conseguir fundos para as pesquisas.

Valor: O senhor nasceu na Itália, um dos poucos países do mundo que proíbe a pesquisa com células-tronco embrionárias. O que um país perde ao optar por não desenvolver essa tecnologia?

Capecchi: O investimento em saúde em qualquer país é enorme. Através de biotecnologia e pesquisa médica, os tratamentos se tornarão mais baratos e efetivos. O país que não investir ficará para trás e dependerá de outros para desenvolver tratamentos. E há uma questão ética: por que um país deve prover toda a cura e outro somente tirar vantagem sem ajudar? É algo que todos devem estar preocupados.

Valor: A lei que foi aprovada no Brasil autoriza pesquisa em embriões inválidos ou congelados por mais de três anos. O senhor acha que é restritivo?

Capecchi: Qualquer restrição não é uma boa idéia. Minha filosofia é que a busca de informação não tem efeitos ruins. É a aplicação que é boa ou ruim, exige reflexão e envolvimento de todos. Mas um aspecto importante é que nada deve ser definitivo. Um exemplo é a fertilização in vitro. Quando surgiu, as pessoas estavam horrorizadas. Hoje é rotineiro em vários países. Esse é um exemplo de como a sociedade muda. A clonagem humana, por exemplo, seria terrível. Não apoiaria isso agora, mas consigo imaginar uma situação em que grande parcela da população se tornasse estéril e não pudesse ter filhos a não ser por clonagem. É preciso manter a mente aberta.

Valor: O senhor teve uma infância difícil. Isso o influenciou?

Capecchi: É difícil responder, porque não pode ser repetido. Não posso viver duas vidas e comparar (risos). Meu palpite é que a experiência me tornou confiante. Foi uma conseqüência, já que tinha que me proteger, encontrar comida, cuidar de mim ainda muito jovem. Faço ciência da mesma forma. Tento tornar o meu laboratório auto-suficiente.

A entrevista foi orignlamente publicada no jornal Valor Econômico desta seunda-feira (2/6/2008)


http://www.apm.org.br/aberto/noticias_conteudo.aspx?id=6130

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A IMPORTÂNCIA DE CONSTRUIR BANCOS DE SANGUE DE CORDÃO UMBILICAL NO BRASIL

Otransplante de células-tronco hematopoiéticas
(TCTH), antigamente chamado de
Transplante de Medula Óssea (TMO), é um
procedimento curativo que tem salvado milhares
de vidas desde a década de 1970. Os
maiores beneficiados por esse tipo de tratamento são os pacientes
que têm doenças hematológicas como, por exemplo,
as leucemias e as aplasias de medula, mas diversas outras
doenças, hematológicas ou não, têm sido tratadas através desse
procedimento. Pacientes com doenças imunológicas,
em que as defesas do organismo estão
comprometidas, também podem se curar
com o transplante (1).
Embora o TMO esteja sendo usado com sucesso
há vários anos para tratar pacientes com
doenças malignas ou não, a sua maior limitação
é a disponibilidade de doador. Devido à complexidade
do sistema imunológico há uma
chance de apenas 25% dos candidatos ao TMO
terem doadores compatíveis aparentados, geralmente um irmão,
devido a incompatibilidade de um sistema chamado
HLA (Antígenos Leucócitarios Humanos) (2). Sendo assim,
ocorre a necessidade de se procurar doadores compatíveis fora
da família. O Programa Nacional de Doador de Medula dos Estados
Unidos, por exemplo, tem identificados 2 milhões de
doadores em potencial e tem facilitado, desde dezembro de
1995, aproximadamente 5 mil TMO a partir de doadores nãorelacionados.
Mesmo assim, esse número é baixo frente ao
maior número de pacientes à espera de um transplante. Além
disso, a disponibilidade de doadores de medula óssea não-relacionados
é ainda limitada devido a inúmeros fatores: 1) o tempo
gasto no processo de procura de doador pode variar de um
mês a seis anos; 2) a disponibilidade do doador no momento
em que é solicitado e 3) a limitada disponibilidade de doadores
em uma dada população étnica ou grupo racial. Devido a estes
fatores, menos de 40% dos pacientes que poderiam ser beneficiados
por um TMO têm identificado um doador adequado e,
destes que têm um doador identificado, menos de 40% recebem
o transplante (3).
A célula-tronco (CT) é definida como a célula com capacidade
de gerar diversos outros tipos celulares. As principais fontes das
células-tronco hematopoiéticas são a medula óssea, o sangue
periférico, após mobilização dos precursores hematopoiéticos
através do uso de citocinas e, mais recentemente, o sangue de
cordão umbilical humano (4).
O sangue de cordão umbilical e placentário (SCUP) é rico em
progenitores hematopoiéticos e tem sido usado para o tratamento
de doenças hematológicas malignas ou não-malignas
(4, 5). O cordão umbilical é uma fonte ilimitada de célulastronco
uma vez que esse cordão umbilical e a placenta são colocados
no lixo após o parto.
O primeiro relato de uso de células de sangue de cordão umbilical
humano em transplante foi em 1988, pela doutora Eliane
Gluckman, do Hospital Saint-Louis em Paris,
França. Gluckman e colaboradores (6)
utilizaram o sangue de cordão umbilical da irmã
de um paciente com anemia de Fanconi para
realizar o transplante, o qual foi um sucesso.
A partir daí, o sangue de cordão umbilical tem
sido utilizado como uma excelente fonte de células-
tronco hematopoiéticas para transplante
em pacientes que não apresentam doadores
HLA compatíveis na família (5). As células do
sangue de cordão umbilical e placentário parecem induzir com
menor freqüência a doença do enxerto contra o hospedeiro
(DECH), a qual é provocada pela incompatibilidade nesse sistema
HLA (7).
O sucesso do uso das células do sangue de cordão umbilical em
transplantes culminou com a necessidade de armazenamento
dessas células. Sendo assim, o primeiro banco de sangue de cordão
umbilical e placentário (BSCUP) público foi estabelecido
em 1993 pelo doutor Pablo Rubinstein no New York Blood
Center, Estados Unidos (8). Esse procedimento encorajou o estabelecimento
de outros BSCUP em diversas partes do mundo
e o número de transplantes, utilizando células do sangue de
cordão, aumentou surpreendentemente nos últimos anos (9).
O Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário
(BSCUP) é uma organização que se destina a coletar, processar
e armazenar células progenitoras hematopoiéticas provenientes
do sangue de placenta e cordão umbilical.Muitas são as vantagens do uso das células do sangue de cordão
umbilical como fonte de células-tronco hematopoiéticas em
relação à medula óssea ou ao sangue periférico: 1) a ilimitada
oferta de sangue de cordão, uma vez que o mesmo é descartado
após o parto; 2) a disponibilidade imediata do mesmo, uma vez
que as células encontram-se prontas para o uso, armazenadas
nos bancos de cordão umbilical humano e 3) a menor incidência
de DECH (Bühring, 1998, McNiece, 2000 e McNiece &
Briddell, 2001), uma vez que essas células são mais “imaturas”
imunologicamente, aumentando muito a chance de achar um
doador. As crianças seriam as maiores beneficiadas por esse tipo
de procedimento, uma vez que a leucemia é o tipo mais comum
de câncer infantil, sendo responsável por mais de 50%
dos casos de câncer na infância.
Com o avanço cada vez maior nas pesquisas com células-tronco,
além das doenças que já se beneficiam com o TCTH, as célulastronco
do sangue de cordão umbilical poderão ser úteis no tratamento
de várias outras doenças, como, por exemplo, nos casos de
pacientes que sofreram infarto do miocárdio ou pacientes
queimados que poderão ter as células reconstituídas com o uso
das CT. Sendo assim, é importante que sejam criados bancos de
sangue de cordão umbilical no Brasil, pois essas células poderão
ajudar a salvar a vida de inúmeros pacientes na nossa sociedade.


Patricia Pranke é farmacêutica e professora de hematologia da Faculdade de Farmácia da
UFRGS e PUCRS. É professora e pesquisadora do programa de pós-graduação em medicina:
ciências médicas – UFRGS, com doutorado na UFRGS e no Banco de Sangue de Cordão Umbilical,
New York Blood Center.


http://www.celulastroncors.org.br/artigos/BancoCordao.pdf

INSTITUTO DE PESQUISAS COM CÉLULA-TRONCO

1) O que são células-tronco?
A célula-tronco é definida como a célula com capacidade de gerar diferentes tipos celulares e reconstituir diversos tecidos. Além disso, a célula-tronco apresenta a propriedade de gerar cópias idênticas dela mesma e também de se mutiplicar inúmeras vezes.

As células-tronco podem ser chamadas de adulta e embrionária. As células-tronco adultas mais utilizadas na clínica são as células-tronco da medula óssea e do sangue de cordão umbilical. As células-tronco embrionárias são derivadas do embrião de até 5 dias que estão congelados nas clínicas de fertilização. Neste caso, os casais podem doar para a pesquisa, com fins terapêuticos, os embriões excedentes que não foram utilizados para a implantação no útero.

2-) Eu gostaria de doar o sangue de cordão de meu filho para o banco público. Como faço?


Não existe necessidade de todas as mães doarem o sangue de cordão de seus filhos, pois com uma quantidade adequada de amostras armazenadas, será possível ter uma variabilidade genética que atenda toda a população, inclusive esta criança.
No mundo inteiro os bancos públicos de sangue de cordão umbilical funcionam desta forma: o banco público faz convênio com algumas maternidades e, por ocasião das coletas, as mães que tiverem tendo seus nenês serão questionadas se gostariam de doar o sangue que iria fora. Não há nenhuma necessidade de armazenar o sangue de cordão umbilical de todos os bebês.
3-) Quais as vantagens de um banco público de sangue de cordão umbilical?

Muitas são as vantagens do uso das células do sangue de cordão umbilical como fonte de células-tronco adultas em relação à medula óssea:
a ilimitada oferta de sangue de cordão, uma vez que bebês nascem todos os dias e suas placentas e cordão umbilical são descartados após o parto;
a disponibilidade imediata do mesmo, uma vez que as células encontram-se prontas para o uso, armazenadas nos bancos públicos de sangue de cordão umbilical, e;
o menor risco de rejeição o que também aumenta muito a chance de achar um doador.
No banco público a mãe doa o Sangue do Cordão Umbilical e as células são congeladas e armazenadas para serem usadas por qualquer pessoa no futuro.
Os exames para descartar o risco de transmissão de doenças pelo sangue são todos realizados no momento da coleta e repetidos 6 meses após a doação, para garantir a segurança do sangue doado.
4-) O que diz a nova lei de Biossegurança?

Redação final do Substitutivo do Senado ao Projeto de Lei da Câmara nº 9, de 2004 (nº 2.401, de 2003, na Casa de origem).

O CONGRESSO NACIONAL decreta:

CAPÍTULO I

Disposições Preliminares e Gerais

Art. 5º É permitida, para fins de pesquisa e terapia, a utilização de células-tronco embrionárias obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização "in vitro" e não utilizados no respectivo procedimento, atendidas as seguintes condições:

I - sejam embriões inviáveis; ou

II - sejam embriões congelados há 3 (três) anos ou mais, na data da publicação desta Lei, ou que, já congelados na data da publicação desta Lei, depois de completarem 3 (três) anos, contados a partir da data de congelamento.

§ 1º Em qualquer caso, é necessário o consentimento dos genitores.
§ 2º Instituições de pesquisa e serviços de saúde que realizem pesquisa ou terapia com células-tronco embrionárias humanas deverão submeter seus projetos à apreciação e aprovação dos respectivos comitês de ética em pesquisa.
§ 3º É vedada a comercialização do material biológico a que se refere este artigo e sua prática implica no crime tipificado no art. 15 da Lei nº 9.434, de 4 de fevereiro de 1997.

Art. 6º Fica proibido:
II - engenharia genética em organismo vivo ou o manejo "in vitro" de ADN/ARN natural ou recombinante, realizado em desacordo com as normas previstas nesta Lei;
III - engenharia genética em célula germinal humana, zigoto humano e embrião humano;
IV - clonagem humana;

CAPÍTULO VIII

Dos Crimes e das Penas

Art. 24. Utilizar embrião humano em desacordo com o que dispõe o art. 5º desta Lei:
Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.

Art. 25. Praticar engenharia genética em célula germinal humana, zigoto humano ou embrião humano:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos e multa.

Art. 26. Realizar clonagem humana:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.


http://www.celulastroncors.org.br/faq.htm#2

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

EUA autorizam pesquisa com células-tronco embrionárias de humanos

02/12/2009 - 15h57

da Folha Online

Atualizado às 16h47.

Em decisão inédita, a administração de Barack Obama aprovou 13 pesquisas com células-tronco embrionárias de humanos para experimentos científicos. Pesquisadores serão financiados pelo governo dos EUA, sob uma nova política designada para expandir o apoio governamental para um dos mais promissores --e controversos-- campos da pesquisa biomédica. As informações são da edição on-line do jornal "Washington Post" desta quarta-feira (2).

Em março, Obama já havia revertido a medida de seu antecessor, George W. Bush (2001-2008), por meio de um decreto liberando o uso de dinheiro público para o estudo.

Agora, o Instituto Nacional de Saúde (NIH, na sigla em inglês) autorizou 11 linhas de pesquisa com células pelos cientistas do Hospital Infantil de Boston e duas linhas criadas por pesquisadores da Universidade Rockefeller, em Nova York. Todas as células foram obtidas de embriões congelados, deixados por casais que procuraram tratamentos de infertilidade.

"É uma mudança real no panorama", disse o diretor do NIH, Francis Collins. "É o primeiro investimento no que virá a ser uma lista muito longa, que vai dar poder à comunidade científica para explorar o potencial da pesquisa com células-tronco embrionárias."

Ainda de acordo com o "Post", o movimento foi aclamado por todos os apoiadores da pesquisa como uma longa espera, um divisor de águas que finalmente permitirá que cientistas usem milhões de dólares arrecadados pelos impostos para estudar centenas de linhas de células-tronco --algo que foi limitado e restrito pelo antecessor de Obama, George W. Bush, cujo impedimento se sustentou sob o argumento moral.

"Era isso o que estávamos esperando", disse a cientista Amy Comstock Rick, da Coalizão para Avanço da Pesquisa Médica, grupo que lidera os esforços de lobby para desamarrar as restrições federais na pesquisa. "Estamos muito animados."

Na era Bush, a verba federal para cientistas era limitada para determinadas linhas de pesquisa com células-tronco, que foram muito criticadas como improdutivas e deficientes. As regras de financiamento na separação de financiamento público e privado foram erigidas de forma "burocrática e desajeitada", diz o jornal --o que acabava por frustrar diversas formas de verba.

Agora, embora as pesquisas com células-tronco embrionárias poderão ser elaboradas a partir de financiamento privado e público, que permitirão experimentos em uma variedade de linhas, expandindo o número de cientistas e tipos de experimentos.

Reação moral

O anúncio, entretanto, foi condenado por opositores das pesquisas, cujo argumento principal se fundamenta na falta de ética e no suposto fato de que o trabalho é desnecessário, porque há disponibilidade de células-tronco adultas e outras alternativas recentemente identificadas.

"Eticamente, nós não acreditamos que qualquer contribuinte de impostos tem que financiar as pesquisas que destroem a vida humana em qualquer estágio", disse Richard M. Doerflinger, da Conferência de Bispos Católicos dos EUA. "Mas a tragédia disso é multiplicada pelo fato de que ninguém pode pensar que tipo de problema pode ser resolvido por estas células."

O diretor da NIH, cristão evangélico que descarta o conflito entre ciência e religião, defende o trabalho. "Acho que há um argumento que pode fazer que isso seja eticamente aceitável", disse Collins. "Se você acreditar na inerente santidade do embrião humano."

Muitos cientistas acreditam que as células-tronco embrionárias vão permitir conhecimento fundamental nas causas de muitas doenças, e que poderão ser usadas para curar diabetes, mal de Parkinson, paralisias e outras enfermidades. A extração das células, contudo, destrói embriões com poucos dias de idade.


http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u660722.shtml

Entenda a autorização de pesquisa com células-tronco embrionárias de humanos

02/12/2009 - 20h57

da Folha Online
A autorização inédita dada pelo governo dos Estados Unidos para 13 pesquisas distintas com células-tronco embrionárias foi publicada na edição on-line do jornal "Washington Post" desta quarta-feira (2).

"Com essa liberação, mais grupos serão formados. Com mais cérebros pensando, rapidamente aparecerão as soluções para diversos problemas de saúde", ressalta Lygia da Veiga Pereira, chefe do laboratório de genética molecular da USP (Universidade de São Paulo).

Para a especialista, a autorização atesta que o governo acredita nas pesquisas e quer dar mais liberdade para os cientistas americanos desenvolverem todo o potencial que existe nos estudos com células embrionárias.

Barack Obama já havia revertido a medida do presidente anterior, George W. Bush (2001-2008), por meio de um decreto, liberando o uso de dinheiro público para os estudos. Lygia da Veiga Pereira lembra que a restrição era repudiada pela comunidade científica.


http://www1.folha.uol.com.br/folha/podcasts/ult10065u660926.shtml

Rio inaugura primeira grande fábrica de células-tronco do Brasil

01/12/2009 - 09h01

REINALDO JOSÉ LOPES
enviado especial da Folha de S. Paulo ao Rio

Pesquisadores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) inauguraram ontem a primeira grande fábrica de células-tronco do país. O objetivo é distribuir linhagens dessas células para dezenas de centros de pesquisa Brasil afora, de maneira que futuros testes de laboratório --e, com sorte, de terapia celular em pessoas-- sejam padronizados e tenham resultado mais confiável.

O Lance (Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias) fabricará não só linhagens de células embrionárias humanas, famosas por sua versatilidade quase ilimitada (podem assumir a função de qualquer tecido do organismo adulto), mas também as chamadas células iPS. Esse outro tipo é aquele produzido quando um pedaço do organismo adulto, como uma célula da pele, é "convencido" a retornar a um estado mais primitivo, tão versátil quanto o embrionário.

A esperança é que ambos desempenhem um papel importante na medicina do futuro. As duas classes de célula podem ajudar a reconstruir a dinâmica de doenças humanas em laboratório e servir como plataforma para teste de novas drogas.

Também há chance de usá-las para reconstruir tecidos e órgãos lesados, como os neurônios desfuncionais de uma pessoa com mal de Parkinson, embora nenhum teste em humanos tenha ocorrido até agora.

Criatividade e esperança

Com recursos do Ministério da Saúde, do CNPq, da Finep e do BNDES, o Lance é uma tentativa de aplicar resultados da pesquisa básica em saúde.

O diretor do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, Roberto Lent, disse que a iniciativa marca um momento de "criatividade e esperança" para a instituição, que está fazendo 40 anos. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, foi o responsável por inaugurar oficialmente o laboratório ontem.

O novo laboratório terá também um braço na USP. Os 26 pesquisadores da ala carioca do Lance se destacam, junto com seus colegas paulistas, pela experiência já adquirida na área.

Foram os primeiros da América Latina a produzir células iPS, um truque delicado de manipulação genética, e os primeiros a produzirem uma tese de doutorado e um artigo científico sobre células-tronco embrionárias humanas no Brasil.

O grupo também anda otimizando técnicas para a produção e a análise dessas células em larga escala.
A ideia é usar esse know-how como controle de qualidade das linhagens celulares que serão empregadas para pesquisa no Brasil.

Os cientistas planejam garantir que as células distribuídas estejam livres de contaminação bacteriana, sem anomalias genéticas e com pluripotência (versatilidade na transformação em outros tipos).

Comparabilidade

Stevens Rehen, o biólogo coordenador do laboratório, diz que será preciso encontrar equilíbrio entre a padronização das linhagens e a criatividade de cada grupo de pesquisa.

"Posso chegar a um protocolo numa determinada linhagem que é boa para produzir neurônios, e para mim está ótimo", explica o cientista. Segundo ele, porém, isso não basta. "É importante que seja possível comparar as linhagens durante testes clínicos, por exemplo, porque é comum cada uma se comportar de modo diferente."

Outro fator a ser considerado pelos cientistas é a composição genética das células, que influi na maneira com que elas reagem a drogas, por exemplo.

"A [linhagem] que testamos era cerca de 98% europeia. Pode ser que nunca consigamos amostrar toda a diversidade genética brasileira, porque quem tem acesso a clínicas de fertilização [fornecedoras de células embrionárias] tende a representar uma fatia mais europeia da população", afirma.


http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u659972.shtml

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

NA ÚLTIMA MATÉRIA DA SÉRIE DE REPORTAGENS ESPECIAIS SOBRE CIÊNCIA, SAIBA EM QUE SITUAÇÃO ESTÃO AS PESQUISAS COM CÉLULAS-TRONCO NO BRASIL.

Bernardo tem onze anos e desde os oito sabe que tem uma doença congênita, a distrofia muscular de Duchenne. É o tipo de distrofia mais comum, atingindo um a cada 3 mil e 500 nascimentos de meninos, e também a mais severa. Os primeiros sintomas são observados dos 3 aos 5 anos, quando a criança cai mais do que o normal, tem dificuldades para subir escada, correr e levantar do chão. Com o tempo, os músculos vão perdendo a força, o que levou Bernardo à cadeira de rodas. Por isso, desde que descobriu a doença do filho, o empresário carioca José Carlos Borges começou a pesquisar ativamente o assunto para tentar reverter o quadro de Bernardo.

"Nós temos naturalmente que mudar esse quadro da evolução da doença, ela é muito agressiva."

José Carlos explica que o tratamento que seu filho recebe é apenas paliativo. Por isso, aposta todas as esperanças nas pesquisas com células tronco. Durante muito tempo, a expectativa de vida para os portadores da distrofia muscular de duchenne era de 20 a 25 anos. Mas hoje, com a utilização de aparelhos de respiração artificial, o tempo de vida dos pacientes aumentou 10 anos. A coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano, Mayana Zatz, uma das maiores autoridades do país quando se fala em células-tronco, diz que as pesquisas nessa área precisam justamente de cerca de dez anos para apresentar resultados práticos.

"E dez anos é o que a gente precisa, eu acho, para transformar essas pesquisas em tratamento. O que a gente não quer de jeito nenhum é arriscar injetar células tronco e que elas se transformem em um tumor. A gente sabe que existe esse risco. Então se você injetar células-tronco quando ela ainda está no começo da diferenciação, quando ela tem aquele potencial para fazer muitos tecidos, ela também tem o potencial de formar tumores. Entao você tem que injetar quando ela está num período mais diferenciado, ou seja, ela já tem um compromisso de virar músculo, ou osso, ou sangue. Só quando a gente tiver esse controle, quando a gente conseguir mandar nessas células e dizer assim: você vai me obedecer, você só vai fazer isso, a gente vai poder injetar no organismo."



As células tronco representam uma chance para a descoberta de tratamentos para doenças atualmente incuráveis como mal de Parkinson, diabetes, graves problemas no coração e distrofias musculares. Além disso, a cura para lesões causadas por acidentes também está sendo estudada pelos pesquisadores. A equipe do Centro de Pesquisa Gonçalo Moniz, da Fiocruz, na Bahia, realizou o pioneiro transplante de células de medula óssea em pacientes com problemas cardíacos devido à doença de Chagas. Milena Soares, imunologista e pesquisadora do Centro de Pesquisa Gonçalo Moniz, é responsável pelo estudo. Ela explica que as células-tronco são uma alternativa mais simples e barata e com menos complicações que o tradicional transplante de coração.

"Nesses pacientes, os estudos iniciais indicam que há uma melhora da função cardíaca, e consequentemente da qualidade de vida desses pacientes. Mas a gente só pode afirmar que a terapia é realmente eficaz após a análise dos resultados desse estudo multicêntrico que está sendo realizado."

O estudo multicêntrico citado por Milena envolve 33 centros de pesquisa, em nove estados e no Distrito Federal, financiados pelo Ministério da Saúde, visando encontrar nas células-tronco uma solução para cardiopatias graves. Milena Soares destaca que as áreas com pesquisas mais avançadas no Brasil são cardiologia, neurologia e doenças do fígado. A imunologista explica que as células-tronco adultas são retiradas da medula óssea do próprio paciente.

"Na área de cardiologia, que é a mais avançada, a gente está realizando o maior estudo com terapia de células-tronco do mundo, incluindo 1.200 pacientes. É um estudo que está sendo financiado pelo Ministério da Saúde, e que estão sendo incluídos pacientes com 4 cardiopatias. E nesse estudo vai se comprovar a eficácia, ou não, desse tratamento."


A esperança depositada nas células-tronco para cura de doenças levou pacientes, pais e pesquisadores a se unir para criar o movimento em prol da Vida, o Movitae, em 2003. A presidente do grupo, Andréa Bezerra Albuquerque, ressalta a impaciência dos doentes, esperando que o resultado das pesquisas traga a tão almejada cura. Mas Andréa lembra que o tempo da ciência é muito diferente do nosso.

"Atualmente, não tem nada que se possa fazer com a medicina tradicional, a não ser um tratamento paliativo, um suporte, para deixar o paciente confortável, mas são doenças que não param, vão progredindo até a morte mesmo."

Foi recentemente lançado um portal na internet chamado Instituto Virtual de Células-Tronco, no endereço eletrônico www.ivct.org . O site vai reunir vários pesquisadores em células-tronco, num ambiente onde podem trocar experiências virtualmente. Além disso, os pacientes e familiares podem tirar todas as dúvidas sobre doenças e as pesquisas com células-tronco.

De Brasília, Adriana Magalhães.


E AQUI TERMINA AQUI A SÉRIE DE REPORTAGENS ESPECIAIS SOBRE CIÊNCIA. TEXTO E PESQUISA DE ADRIANA MAGALHÃES, PRODUÇÃO DE LUCÉLIA CRISTINA, COORDENAÇÃO E EDIÇÃO DE APRÍGIO NOGUEIRA E PRODUÇÃO DE LUCÉLIA CRISTINA.
segunda-feira, 13 de novembro de 2006


http://www.camara.gov.br/internet/radiocamara/default.asp?selecao=MAT&Materia=43462

sábado, 9 de janeiro de 2010

Normas para células-tronco estão em consulta pública

A população tem até o dia 5 de fevereiro para enviar sugestões e críticas à Consulta Pública nº 92, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que irá estabelecer normas para o funcionamento dos Centros de Tecnologia Celular (CTC) de células-tronco humanas, adultas e embrionárias.
A proposta da Agência assegura a qualidade e a segurança dos procedimentos de pesquisa por meio do estabelecimento de requisitos mínimos. O documento atribui aos Centros a responsabilidade por todos as técnicas relacionadas ao preparo das células-tronco humanas e seus derivados. As atividades incluem coleta, processamento, acondicionamento, armazenamento, testes de controle de qualidade das células, assim como o descarte e a liberação para uso e transporte.
Para utilizar as células-tronco humanas e seus derivados em tratamentos, o interessado deve comprovar o reconhecimento da prática terapêutica pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Além disso, as células utilizadas só poderão ser fornecidas pelos CTCs.
Instituições de pesquisa e serviços de saúde que realizem pesquisa clínica com células-tronco humanas e derivados devem submeter seus projetos à apreciação e aprovação dos respectivos comitês de ética em pesquisa, na forma descrita pela resolução do Conselho Nacional de Saúde.
A proposta determina, ainda, que os Centros devem apresentar licença de funcionamento, licença sanitária ou alvará sanitário atualizado, emitido pelo órgão de vigilância sanitária local. O documento está disponível na internet, no endereço www.anvisa.gov.br. Após a Consulta Pública, a norma deve ser aprovada pela Diretoria Colegiada da Anvisa para entrar em vigor.

FONTE : http://www.brasil.gov.br/noticias/em_questao/.questao/eq959c/

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Fontes alternativas de células tronco

Atualmente, nosso país soma 2.500 indicações anuais para transplante de medula óssea, das quais 1.500 não encontram um doador com laços de parentesco e compatibilidade genética.

Devido às dificuldades de se encontrar doadores de medula óssea, busca-se fontes alternativas de células- tronco. Pesquisas demonstraram que, durante a gestação, o sangue de cordão umbilical é uma fonte rica de células-tronco.

Após o parto, o sangue que permanece no cordão umbilical e na placenta, contendo células tronco, era geralmente descartado. A partir dessa descoberta, as células-tronco obtidas do sangue de cordão umbilical vêm sendo utilizadas em modelos terapêuticos onde é indicado o transplante de medula óssea.

Quando o paciente utiliza suas próprias células-tronco (autólogo) não há rejeição, podendo, inclusive, ser utilizadas, com aproximadamente 30% de chance de compatibilidade com parentes consangüíneos. Portanto, as células-tronco do cordão umbilical são muito mais
eficientes para o futuro uso terapêutico.

O transplante pode ser autólogo, quando as células precursoras de medula óssea provêm do próprio indivíduo transplantado (receptor). Ele é dito alogênico, quando a medula ou as células provêm de um outro indivíduo (doador). O transplante também pode ser feito a partir de células precursoras de medula óssea obtidas do sangue circulante de um doador ou do sangue de cordão umbilical.

Nos transplante alogênicos, com doador, com a recuperação da medula, as novas células crescem com uma nova "memória" e, por serem células da defesa do organismo, podem reconhecer alguns órgãos do indivíduo como estranhos. Esta complicação, chamada de doença enxerto contra hospedeiro, é relativamente comum, de intensidade variável e pode ser controlada com medicamentos adequados, mas também pode ocasionar a morte do transplantado.

O sangue do cordão umbilical é fonte de células tronco hematopoieticas, de fibroblastos, de células-tronco vascular e de células mesenqüimais, que serão, em breve, utilizadas pela Medicina Regenerativa (Medicina Translacional) para a recuperação ou até mesmo, para a reprodução de órgãos lesados.


http://msn.minhavida.com.br/conteudo/1664-Fontes-alternativas-de-celulas-tronco.htm

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Estudo localiza célula-tronco adulta em vaso sanguíneo

Mello: julgamento de célula-tronco deve ocorrer até abril
>> Entenda o que são células embrionárias

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto concluíram, após cinco anos, um estudo que demonstra que as células-tronco adultas mesenquimais estão nas paredes de todos os vasos sanguíneos. Antes disso, essas células eram mais encontradas na medula óssea. A pesquisa, feita por profissionais do Hemocentro e do Hospital das Clínicas (HC), foi publicada na edição de março da revista científica internacional Experimental Hematology. "Esse é um conceito novo e muda a nossa visão sobre essas células", diz o pesquisador Dimas Tadeu Covas, que preside o Hemocentro e é professor da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão.

Células-tronco, adultas e embrionárias, são células indiferenciadas e, por essa característica, têm o potencial de serem usadas no tratamento de diferentes doenças degenerativas, como lesões cardíacas. As mesenquimais dão origem a componentes do sangue. "Estando nos vasos sanguíneos, elas controlam inúmeros mecanismos de reparo e regeneração", afirma o cientista.

Segundo Covas, os resultados da pesquisa ainda são iniciais e agora é necessário entender essa célula para estudar a possibilidade de uso em tratamentos clínicos. "Abriu-se uma avenida nova de investigação", afirma ele. "Com a análise inicial, podemos intervir e começar a trabalhar especificamente com células de cada um dos tecidos, para ver como se comportam." O objetivo da equipe é estudar como elas agem no fígado, no cérebro e em outras partes do corpo. Covas explica que, apesar da descoberta, a medula óssea continua sendo uma fonte importante de células-tronco adultas, por sua facilidade de obtenção.

Enquanto o uso de células-tronco adultas é permitido no Brasil, a utilização das embrionárias está sob julgamento no Superior Tribunal Federal (STF). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


http://www.atarde.com.br/brasil/noticia.jsf;jsessionid=530325A61242D303225BAB6E44B4103E.jbosscliff1

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

EUA dão apoio inédito a experiências com células-tronco embrionárias

Washington, 2 dez (EFE).- O Governo americano aprovou hoje pela primeira vez o uso de fundos federais para experiências com células-tronco de embrião humano, em um mudança de postura frente à política do Executivo anterior neste controvertido assunto.

A rede de Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês) autorizou hoje o uso de 11 linhagens de células-tronco produzidas por cientistas do Hospital Infantil de Boston e outras duas criadas por pesquisadores da Universidade Rockefeller, em Nova York.

Todas as células foram obtidas de embriões abandonados por casais em clínicas de tratamento para infertilidade.

Há aproximadamente nos EUA meio milhão de embriões congelados oriundos das clínicas de fertilização artificial. Em sua grande maioria, usados ou não para a pesquisa, serão destruídos.

"Esta é uma mudança real. Este é o início do que será uma lista muito mais longa que permitirá à comunidade científica explorar o potencial da pesquisa sobre células-tronco embrionárias", declarou o diretor do NIH, Francis Collins.

Em 9 de março, o presidente americano, Barack Obama, cancelou uma restrição imposta em 9 de agosto de 2001 por seu antecessor, George W. Bush, que limitava o financiamento federal para a pesquisa de células-tronco às 21 linhagens obtidas até aquela data.

As células-tronco têm a capacidade de se desenvolver em diferentes tipos de tecidos, e os cientistas creem que seu estudo e uso permitirão o tratamento de doenças como o mal de Alzheimer.

As restrições impostas pelo Governo Bush responderam aos argumentos de grupos religiosos e conservadores que são contrários ao uso de embriões para a "colheita" de células-tronco.
02/12 - 18:19 - EFE

À época da imposição das restrições, os cientistas favoráveis às pesquisas diziam que as células obtidas de embriões são as mais aptas para se desenvolver em diferentes tipos de tecidos.

A restrição vigente durante o Governo Bush foi mais um incômodo do que um obstáculo para a pesquisa com células-tronco nos EUA, já que ela continuou no setor privado, embora sem o apoio de fundos federais.

Um dos efeitos práticos da restrição foi o de levar instituições que recebiam financiamento federal a separar seus laboratórios, pessoal e protocolos, a fim de que as áreas dedicadas a pesquisas com células-tronco não trabalhassem com recursos do Governo.

No entanto, alguns estados americanos aprovaram leis que permitem o financiamento estatal de outras linhas de pesquisa com células-tronco. EFE jab/bba


http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2009/12/02/eua+dao+apoio+inedito+a+experiencias+com+celulas+tronco+embrionarias+9190074.html

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

CÉLULAS-TRONCO

ABRUC-Associação Brasileira das Universidades Comunitárias

O que muda com decisão do STF sobre células-tronco
Apesar da lei, cientistas acreditam que deverá haver cautela

A aprovação da constitucionalidade do artigo nº 5 da lei de biossegurança pelo STF (Supremo Tribunal Federal) no último dia 30 de maio aumentou a perspectiva entre especialistas de que avancem os estudos com células-tronco embrionárias no país. Pesquisadores dizem que a decisão, acompanhada de perto pela comunidade científica brasileira e também pela sociedade, significa uma vitória para a pesquisa. Isto porque cientistas da área neural - que estudam a reconstituição de tecidos nervosos - vêem nas células-tronco embrionárias uma esperança para a recuperação de pacientes com lesões medulares. A crença, no entanto, é de que o progresso das pesquisas ainda seja lento, pois faltam regras que norteiem a conduta ética na utilização de embriões para fins científicos.
Em sua maioria, os pesquisadores acreditam que apesar da aprovação da lei, enquanto não se definirem regras claras do ponto de vista prático para o uso dos embriões, poucos irão se aventurar a explorar as células-tronco embrionárias. A geneticista da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Carmem Bertuzzo, reforça que a lei, apesar de aprovada, deixou lacunas sobre as regras específicas a serem respeitadas para o uso de células-tronco embrionárias para fins científicos. Ela acrescenta ainda que, hoje, é pequeno o número de iniciativas que leva em conta o uso de células-tronco embrionárias em detrimento de células-tronco adultas justamente pelo debate em torno do embrião ser considerado ou não uma vida.
Apesar de ser favorável ao artigo da lei, na opinião dela, a resistência da comunidade científica só sucumbirá com o tempo de maturação da idéia e à medida que forem estabelecidas regras específicas para o uso ético dos embriões. Assim, evita-se o risco de incentivar estudos que possam colocar a credibilidade da pesquisa em risco. "Esse é um tema com o qual se deve tomar muito cuidado. Não podemos ser afoitos no intuito de trazer uma resposta rápida para a saúde da população. Senão corremos o risco de causar mais danos do que benefícios", alerta a pesquisadora Carmem.
Esse comportamento cauteloso tende a ser reforçado pelo fato de que em muitas áreas da pesquisa médica não foi possível identificar todo o potencial das células-tronco adultas (que não enfrentam nenhum dilema ético para utilização) antes de partir para estudos com embriões. Por essa razão, num primeiro momento, a tendência é que os cientistas continuem a investigá-las até o esgotamento de possibilidades.
"A aprovação do texto derruba vários dogmas e amplia o caminho da pesquisa científica, o que é extremamente favorável. Ainda assim, muitos pesquisadores irão preferir estudar as células-tronco adultas porque, em suas especialidades, o potencial ainda é enorme e pouco explorado", explica a pesquisadora de Engenharia celular da UNESP-Botucatu (Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho - campus Botucatu), Helenice Deffune.
Por outro lado, a professora e chefe do Laboratório de Hematologia e Células-tronco da Faculdade de Farmácia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Patrícia Pranke, ao lado da geneticista Mayana Zatz, símbolo da discussão sobre células-tronco no Brasil, só comemora a aprovação da lei. "Trata-se de um avanço para a pesquisa científica porque amplia o leque de oportunidades para os pesquisadores, garante a continuidade de estudos sem uma disputa ética sobre o tema e confirma a tese de que no Brasil, como estado laico, as decisões não são pautadas sobre crenças religiosas", afirma Patrícia.
A pesquisadora que, na UFRGS faz parte de um grupo que estuda justamente a aplicação de células-tronco para reversão de lesões medulares, entende que a nova lei ampliará o leque de oportunidades. Ela explica que, em testes com camundongos de laboratório, a utilização de células-tronco adultas não tem surtido tanto efeito como estudos internacionais com aquelas vindas de embriões. Na universidade, os estudos que até então não eram incentivados pela inconsistência da legislação, agora poderão avançar. "Antes não tínhamos como incentivar que alunos de mestrado e doutorado fizessem suas pesquisas em cima de algo que a própria legislação não assegurava. É uma vitória para nós termos essa consolidação e, no futuro, para a própria sociedade", afirma Patrícia.
Brasil e as pesquisas com células-tronco
Aprovada desde 2005, a lei de biossegurança brasileira já garantia aos nossos pesquisadores o direito de explorar o potencial científico das células-tronco para pesquisas ligadas à saúde. O fato de termos uma lei sobre o tema quando muitos países ainda não se articulavam em relação à questão colocou o Brasil numa posição confortável em relação a outras nações com estudos mais desenvolvidos nessa linha. Mas a questão ética sobre o uso ou não de células-tronco embrionárias para fins científicos, ainda gerava muita polêmica por aqui. Discutia-se, sobretudo, se devíamos ou não considerá-lo vida e como utilizá-lo com ética e segurança.
De acordo com o filósofo e professor de Epistemologia da FCH/CESMAC (Faculdade de Ciências Humanas do Centro de Estudos Superiores de Maceió), Álvaro Queiroz da Silva, - que recentemente intermediou um debate entre pesquisadores sobre o tema - o Brasil não está atrás de outras nações em relação ao desenvolvimento de pesquisas nessa linha. Assim como os Estados Unidos, porém, também sente o reflexo do conservadorismo em relação à influência religiosa na cultura do país. Segundo ele, enquanto pesquisadores de países da Europa, por exemplo, tendem a ser mais 'atirados' no tema, por aqui, os cientistas costumam ser mais cautelosos.
"Inglaterra, Alemanha, França, Itália e Estados Unidos são algumas das nações que já exploram há anos o potencial das células-tronco, o que inclui o uso de embriões, para o desenvolvimento de novas pesquisas e terapêuticas. Os norte-americanos são os que mais esbarram na questão ética do uso de células-tronco embrionárias. Lá, onde o poder público está intrinsecamente atrelado ao conservadorismo religioso, o embate sobre o tema é forte. No Brasil, também há muita discussão sobre o uso do embrião para fins científicos porque muitos o consideram uma vida", diz Silva.
Por todo esse histórico religioso e cultural de nosso país, Silva também acredita que precisam ser estabelecidas regras específicas para determinar o que pode ou não ser feito em termos de pesquisa com células-tronco embrionárias para evitar sua exploração indevida. Ele ainda concorda com a pesquisadora Carmem que a falta de regras contribuirá para que os cientistas brasileiros demorem mais para articular estudos nessa linha. "Diria que o cientista brasileiro é muito criterioso. Ao contrário do europeu, mais aventureiro, por assim dizer", diz Silva.
Independentemente do perfil do pesquisador, o professor ressalta que é preciso lembrar a seriedade do assunto para não cometer erros e nem propor absurdos com base em estudos genéticos. "Certa vez um cientista italiano veio a público se retratar por uma afirmação que repercutiu no mundo todo. Ele havia dito que podia criar seres-humanos com menos inteligência e mais capacidade física para trabalhos braçais. Esse é o tipo de cuidado que devemos ter. É preciso controlar o anseio pela descoberta e pelo novo para não brincarmos de Deus e criar monstros", alerta Silva.

"Para todo mal, a cura"

E é muito natural, na opinião dos especialistas, que a comunidade científica e também a sociedade fique ansiosa em torno do que parece ser "a cura para todos os males". Especialmente porque há estudos com células-tronco para tratamentos em diversas áreas, desde doenças cardiológicas até as degenerativas como o Mal de Alzheimer. "Estudos apontam que as células-tronco poderiam recompor tecidos. Quando falamos de células-tronco embrionárias, o leque passa a ser ainda maior porque sua capacidade de regeneração em se transformar em qualquer
tecido é maior do que em células-tronco adultas", explica a pesquisadora da UFRGS. Daí a esperança de que com células vindas de embriões seja possível reconstituir tecidos neurais e fazer com que indivíduos que perderam seus movimentos possam recuperá-los.
O grande impasse em relação ao uso de células-tronco embrionárias pela interpretação de que se trata de um ser-vivo é uma polêmica que, no passado, também já foi sentida por especialistas que trabalharam a fertilização in vitro. Segundo a pesquisadora do CIB (Conselho de Informações sobre Biotecnologia) e coordenadora do curso de Biotecnologia da Uniso (Universidade de Sorocaba), Renata de Lima, até hoje os cientistas brasileiros não têm uma legislação específica para esse tipo de terapia, eles se baseiam nas normas da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança). "Por essa razão, acredito que mesmo com a aprovação da lei, a ausência de regras para uso do embrião para pesquisa certamente fará falta. Isso precisa ser considerado prioridade porque impedirá, por exemplo, a criação de embriões para simples comercialização", opina ela.
Renata não concorda, em absoluto, com o argumento de desperdício da vida no uso de células-tronco embrionárias para fins científicos, principal argumento da corrente contra a idéia. Ela complementa que, hoje, a fertilização in vitro já "desperdiça" mais embriões do que se eles fossem usados para pesquisas com células-tronco. "Quando um casal procura a fertilização in vitro são feitos vários testes e muitos embriões já são descartados, eles não têm outro destino", explica.
A pesquisadora da UNESP acredita que é justamente neste aspecto que a decisão do STF foi mais acertada. Ela permite dar um novo uso a um material já descartado. Em seu ponto de vista, a aprovação do artigo que trata de células-tronco embrionárias é o fim de uma polêmica baseada num julgamento de dois pesos e duas medidas. "Hoje, posso recorrer à família de um paciente com morte cerebral para solicitar a doação de órgãos vivos, mas não podia recorrer a o embrião não fecundado, ou seja, aquele em que não consegui provar que há vida porque isso seria um crime? Acho que essa decisão do tribunal foi absolutamente madura e coerente, mas não creio que irá mudar de uma hora para outra e drasticamente o rumo das pesquisas com células-tronco embrionárias no país", afirma Helenice.

Portal Universia

http://www.abruc.org.br/003/00301015.asp?ttCD_CHAVE=59426

domingo, 20 de dezembro de 2009

Células-tronco- Esperança

ENTREVISTA EXCLUSIVA/AGNES NISHIMURA


Rodrigo Craveiro

"As células-tronco são uma esperança para o futuro"
Agnes Nishimura, cientista brasileira responsável pela descoberta de nova variação da esclerose lateral amiotrófica (ELA) e pesquisadora do Instituto de Psiquiatria do King's College, em Londres

"Adin seria volta ao obscurantismo"

A caracterização de um novo tipo de esclerose laterial amiotrófica (ELA) numa família brasileira valeu à pesquisadora brasileira Agnes Nishimura, de 28 anos, o prêmio Paulo Gontijo na categoria Medicina. A láurea, entregue no último dia 20 de junho em Brasília à cientista do Instituto de Psiquiatra do King's College -- de Londres --, foi criada pelo físico, engenheiro civil e empresário Paulo Gontijo, morto pela doença em 2002. Em entrevista ao site Células-Tronco Esperança, Nishimura afirmou que a aprovação da Ação de Inconstitucionalidade (Adin) da Lei de Biossegurança pelo Supremo Tribunal Federal seria um retrocesso para a ciência, a volta ao obscurantismo.

Como a senhora caracterizou a esclerose e qual é a importância desse estudo para a ciência?
Na realidade nós estudamos a esclerose lateral amiotrófica (ELA). Uma grande família foi encaminhada ao Centro de Estudos do Genoma Humano, do Instituto de Biociências da USP. A partir dessa família, descobrimos uma nova forma de ELA. A identificação dessa nova doença e a compreensão da causa da mesma são de suma importância, pois a descoberta dessa nova proteína abrirá um novo campo de pesquisas que antes era desconhecido para essa doença neurodegenerativa. Esperamos entender os mecanismos envolvidos nessa patologia e, possivelmente no futuro -- não sabemos ainda quão distante --, tentar encontrar uma terapia.

O que levou a senhora a se dedicar às pesquisas nessa área e de que forma as células-tronco se encaixam nesse processo?
Sempre gostei de genética e na minha família há casos de doenças neuromusculares. Formei-me em Biologia pela USP e comecei a estagiar no laboratório da Dra.Mayana Zatz no segundo ano de faculdade. Desde o começo ela me ensinou como trabalhar com os pacientes de forma ética e justa. No laboratório, trabalhei com diferentes doenças até chegar na esclerose lateral amiotrófica. Em 2005, entramos em contato com o Dr. Christopher Shaw, do Instituto de Psiquiatria do Departamento de Neurologia do King's College. Naquela época, ele tinha recebido uma licença para trabalhar com células-tronco embrionárias humanas em Londres e também estudava o gene que identificamos no Brasil.

Quais os principais sintomas da esclerose lateral amiotrófica e de que forma ela age no organismo?
A esclerose lateral amiotrófica é muito heterogênea e pode se manifestar na idade adulta ou em adolescentes. A forma mais comum é a forma adulta. Além disso, pode ser hereditária ou não. Inicia-se com dificuldades em caminhar longas distâncias, seguidas de dificuldade em segurar objetos preferencialmente em um dos lados do corpo. Posteriormente, o paciente pode ter dificuldade em falar, deglutir e respirar. Muitos apresentam fasciculação (tremor nos músculos) e tremor nas extremidades dos dedos. A forma clássica é muito rápida, mas há também algumas formas lentas. A que descobrimos é hereditária, geralmente com progressão lenta e é chamada de ELA tipo 8. De forma geral, o que ocorre no organismo é a morte dos neurônios motores (os neurônios que levam impulsos do cérebro para a medula espinhal e da medula para os músculos). Eles representam os maiores neurônios do corpo humano, pois saem da medula e chegam ao dedão do pé. Por alguma razão (genética ou ambiental), esses neurônios morrem e, conseqüentemente, deixam de nutrir os músculos. Por isso, ocorre a atrofia muscular nesses pacientes.

É possível estabelecermos uma cura para a esclerose por meio de células-tronco? Qual o potencial desas estruturas no combate à doença?
No momento não há nenhum tratamento de cura para a ELA. É possível retardar o avanço da doença por meio de medicamentos, mas isso não ocorre em todos os casos. Recomenda-se tratamentos paliativos, como fisioterapia, fonoaudiologia, hidroginástica etc. Todos sob supervisão médica. As células-tronco são potencialmente capazes de se transformar em neurônios e substituir o neurônio motor danificado. Entretanto, o tratamento com esse tipo de célula ainda não é possível. O maior objetivo no momento, em relação às células-tronco, é tentar entender porque e como esses neurônios motores morrem. Dizemos sempre que as células-tronco são uma esperança para o futuro, mas no momento tentamos entender como as células atuam para depois pensar em terapias.

Como a senhora recebe o prêmio Paulo Gontijo? É um incentivo às pesquisas em busca de uma cura para a esclerose?
O Prêmio Paulo Gontijo foi uma iniciativa muito bonita por parte dos familiares de Paulo Gontijo. É um incentivo para a pesquisa no Brasil e serve para mostrar para os brasileiros que podemos fazer pesquisa no nosso país. Esperamos que outras pessoas possam seguir o exemplo da família Gontijo e incentivar a pesquisa no nosso país. Acredito que devemos primeiro entender por que ocorre a doença para depois tentarmos procurar uma cura. Sem entender a causa, não há como chegar à cura da ELA.

Como analisa a ciência brasileira em termos de pesquisas com células-tronco? Estamos avançados? Por que?
Existem diferentes células-tronco, as embrionárias e as adultas. As células-tronco embrionárias têm o potencial de se diferenciar em todos ou quase todos os tecidos. As adultas não, são mais limitadas. Acredito que em algumas áreas a pesquisa com células-tronco está avançada, pois não há restrição na lei quanto ao estudo de células-tronco adultas. Depende muito no objetivo final da pesquisa. Tratar um paciente com diabetes é muito diferente de tratar um paciente com doenças neuromusculares. Os estudos com células-tronco embrionárias humanas ainda são preliminares. Apesar da lei que permite essas pesquisas ter sido aprovada em março de 2005, os comitês de ética ainda ficam receosos em aprovar as pesquisas antes de uma definição, pelo Superior Tribunal Federal (STF), acerca da Ação de Inconstituicionalidade (Adin) apresentada pelo ex-procurador da República, Cláudio Fonteles. Além disso, há dificuldades na obtenção do material e no cultivo dessas células. Isso não significa que ao trabalhar com essas células iremos descobrir a causa de todas as doenças. Ainda estamos aprendendo, mas se não obtivermos licença para trabalhar com essas células nunca saberemos se são potencialmente utilizáveis para tratamento ou não. Sou contra qualquer tratamento clínico em humanos com o uso de células-tronco (embrionárias ou não) sem antes um estudo rigoroso em laboratório e em modelos animais.

O Supremo Tribunal Federal (STF) votará nos próximos dias a Adin da Lei de Biossegurança. Caso a Adin seja aprovada, o que isso representará para a ciëncia brasileira?
Temos confiança que a Adin não será aprovada. a lei foi votada por 96% dos senadores e 85% dos deputados. A grande maioria da população é a favor dessas pesquisas. Uma petição escrita pela jornalista Conceição Lemes em favor dessas pesquisas já obteve mais de 32 mil assinaturas. Mas, se apesar de tudo a Adin for aprovada, isso significará um retrocesso enorme para as pesquisas, a volta ao obscurantismo. Não podemos deixar isso acontecer.

http://www.celula-tronco.com/noticias.php?codigo=97

Pesquisa com célula-tronco para derrame

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009 | 18:27


Reino Unido aprova ensaio clínico com célula-tronco para derrame

No mês de janeiro, ao mesmo tempo que o FDA aprovou, nos Estados Unidos, a primeira experiência terapêutica com células-tronco embrionárias em pessoas com lesão medular, a empresa ReNeuron, da Grã Bretanha, anunciou o primeiro ensaio clínico em pacientes britânicos que sofreram derrame isquêmico.

A pesquisa vai testar primeiro a segurança do procedimento

Esse ensaio terapêutico que vai ser iniciado no segundo trimestre de 2009, no Instituto de Ciências Neurológicas de Glasgow, na Escócia, tem como objetivo testar primeiro a segurança do método. É a chamada Fase 1. Serão injetadas células-tronco neuronais - ReN001- diretamente na região lesionada do cérebro. De acordo com os pesquisadores, esse procedimento e a natureza da linhagem celular desenvolvida pela empresa, não requer o uso de imunosupressão, eliminando assim um risco adicional. Os pacientes serão monitorados e acompanhados por um ano para avaliação dos resultados.

A maioria dos derrames são de natureza isquêmica

Os derrames podem ser causados por hemorragias ou, na maioria dos casos, por bloqueio da circulação sanguínea no cérebro, ou isquemia. Cerca da metade das pessoas que sobrevivem a um derrame ficam com sequelas permanentes causadas pela lesão cerebral. Na fase aguda, o tratamento consiste no uso de agentes anticoagulantes tentando minimizar o bloqueio da corrente sanguínea no cérebro decorrente da formação de coágulos. Após a fase aguda os únicos tratamentos são a fisioterapia e a re-habilitação.

Seleção de pacientes

Nessa primeira fase, serão selecionados 12 pacientes que sofreram derrame nos últimos 6 a 24 meses. Essa seleção difere do critério usado pelo FDA no ensaio americano em lesionados medulares onde as injeções serão administradas em pacientes recém acidentados (até 14 dias após a lesão medular). Por um lado, esperam-se resultados melhores em tratamentos iniciados logo após o acidente. Por outro lado, a análise dos resultados clínicos é mais difícil. Como avaliar quanto da recuperação ocorreu como consequência de tratamentos convencionais e quanto por causa das injeções de células-tronco? A escolha de pacientes com lesões mais antigas no caso do derrame vai permitir uma avaliação melhor dos resultados diretos da terapia celular.

Qual dos dois ensaios terapêuticos é mais importante? O americano ou o britânico?

Essa pergunta me foi feita por uma jornalista da prestigiosa revista Nature Medicine. Não é possível fazer esse tipo de comparação. São duas condições diferentes que vão ser tratadas por metodologias distintas. O que há em comum é que nos dois experimentos será avaliada a segurança do procedimento. Os resultados obtidos permitirão avaliar os próximos passos. A expectativa vai ser enorme, mas devemos ter um otimismo cauteloso. O fundamental é saber que está sendo dado o pontapé inicial e que teremos muito a aprender com os resultados. Essas experiências permitirão pularmos etapas. Poderemos ganhar tempo evitando o que não deu certo. E repito o que já disse em colunas anteriores: nos dois casos, não perdemos por observar e por esperar.

Por Mayana Zat


http://veja.abril.com.br/blog/genetica/arquivo/pesquisa-com-celula-tronco-para-derrame/